A presidente da Associação Crianças Desfavorecidas (Acrides), Lourença Tavares, fez essas considerações em declarações à Inforpress, no âmbito encontro que se realiza segunda-feira, 14, com os parceiros nacionais e internacionais, denominado “Diálogo Nacional”.

“Trata-se de um encontro que visa reunir todos os parceiros para debatermos os problemas que afectam as crianças e as famílias, bem como o sistema de financiamento aos projectos destinado à protecção e o bem-estar das crianças”, disse.

Focando nos resultados do projecto de prevenção e combate ao abuso e exploração sexual das crianças e adolescentes referente ao ano 2017/2018, Lourença Tavares, considerou o trabalho e a dinâmica das redes locais de “forte” por terem conseguido, apesar de algumas dificuldades, construir uma dinâmica “viva” a volta do projecto.

Para o sucesso do mesmo, disse que o apoio da cooperação luxemburguesa, com o financiamento, assim como experiência que o Brasil trouxe ao país para capacitação dos técnicos cabo-verdianos foram determinantes, visto que conseguiu despertar “interesse e entrega” dos técnicos para com as crianças vítimas de abuso e exploração sexual.

Apesar destas conquistas, admitiu que não foi possível atingir resultados positivos em alguns concelhos, particularmente nos meios mais pequenos, onde a temática foi difícil ser abordada com os residentes, razão porque defendeu um trabalho mais profundo com as redes locais.

Santiago Sul, pela sua complexidade, foi apontado por esta responsável como o distrito que mais necessita de uma “melhor e maior intervenção”, tendo Lourença Tavares até solicitado do governo a volta dos assistentes sociais ao terreno.

No que tange a temática e sua ligação com o turismo, a presidente da ACRIDES solicitou uma maior parceria de instituições ligados a esta com placas que divulgam as leis de que Cabo Verde pune turismo sexual.

Ainda no que tange ao turismo, quer que no Fundo de Turismo distribuído a outras instituições seja contemplada as organizações que combatem o abuso e exploração sexual das crianças.

“Isso porque dar combate ao abuso e exploração sexual das crianças é muito mais do que aprovar leis, é também financiar as organizações para que possam fazer o trabalho de terreno”, ajuntou.

É preciso, segundo Lourença Tavares, que os diferentes estratos da sociedade Civil, com o mandato referindo-se aos direitos da criança, consiga financiamento para apoiar o seu grupo alvo na busca de soluções aos problemas sociais e económicos com que se confrontam e lutar para melhores políticas sociais de inclusão e de protecção de grupos vulneráveis.

A problemática do abuso e exploração sexual da criança em Cabo Verde, associada a fins comerciais e turísticos, segundo a organização, forma identificadas a partir de 2012 após o “Estudo sobre a aplicação das Convenções 138 e 182 da OIT’’ que denota que a questão da prostituição infantil é preocupante.

O encontro “Dialogo Nacional” é visto como um dia de advocacia com o Governo de Cabo Verde, os parceiros e os protectores da criança, e tem como propósito debater as actividades e resultados do projecto que permitiu a realização de formações a centenas de profissionais, criação de Redes Locais em sete Ilhas do arquipélago, pesquisa e acção nas Ilhas do Sal e Boavista, e avaliação do fluxo real de atendimento às crianças vítimas do abuso e da exploração sexual.

Consta dos objectivos específicos deste encontro, a apresentação dos elementos-chave da capitalização para serem usados em advocacy e lobbying; compartilhar com o Governo, os parceiros técnicos e financeiros e a sociedade civil os resultados sistemáticos e as recomendações e a assinatura da “Carta de Parceria” (7 compromissos-chave) pelos presentes.

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