É uma visão distorcida que os desacredita a qualquer título. Não é esse, porém, o nosso entendimento, porque os políticos, sendo necessários, representam, quando são eleitos, o povo ao serviço do qual se comprometem a tudo fazer para o ajudar, disso se segue que a política se acha intrinsecamente relacionada com a promoção de interesses e de valores tanto nobres quanto altruístas.

Resulta, por conseguinte, que a política se apresenta como um campo “aliciante” de actuação do profissional de Relações Públicas. Estas são úteis à política e à sociedade uma vez que as relações de poder que medeiam as duas estruturas podem gerar conflitos, o que obriga que entre si seja fomentado, amiúde, o diálogo. Esta função política das Relações Públicas promana da necessidade de estabelecer uma relação equilibrada, transparente e harmoniosa entre duas categorias do poder mediante uma boa comunicação.

Assim, o profissional de Relações Públicas torna-se hoje um agente político na construção de uma sociedade mais consciente de direitos e de deveres. Assume uma visão estratégica. Todas as entidades necessitam de alguém que as oriente no exigente labor de construir uma identidade que se posicione na mente dos públicos e que as legitime. Logo necessitam da função de Relações Públicas.

Já é um lugar comum dizer que uma boa imagem do político é fundamental para a prossecução dos seus objectivos numa sociedade. Uma vez que esta imagem gera um relacionamento positivo com a sociedade, em geral, e com os públicos e os media, em particular.

O êxito ou o fracasso de um político/partido não depende exclusivamente da qualidade dos seus programas/plataformas eleitoriais. A coisa é mais séria e mais exigente, pois é preciso também que haja a consciência de que a gestão de imagem poderia ser utilizada como uma forma de diferenciação, de alcance de uma posição privilegida num meio extremamente dinâmico, competitivo e em constantes mutações.

O profissional de Relações Públicas surge, neste contexto, como um delineador da imagem do político, das suas estratégias e da sua campanha, tendo em conta os potenciais concorrentes e a sua posição na sociedade e no mercado. No âmago desta preocupação encontra-se a ideia de tornar o Relações Públicas como um elemento de ligação e de transmissão de informação entre o público e o político/partido.

Como o público tem de ser informado, o Relações Públicas deve estar em permanente contacto com os futuros eleitores e, deste modo, o seu trabalho, estrategicamente pré-definido, atende às necessidades pelas quais foi escolhido. Neste particular, em Cabo Verde, mostra-se claramente imprescindível um trabalho permanente e organizado de Relações Públicas, podendo, mediante um plano de comunicação e de acção, ajudar na formação da imagem a longo prazo dos políticos/partidos.

Face à percepção negativa dos cabo-verdianos em relação à imagem dos nossos agentes políticos, como o demonstram os repetidos estudos da Afrosondagem/Afrobarómetro, urge, em consequência, uma mudança célere da actuação da classe política, sob pena de perder toda a credibilidade e legitimidade junto da opinião pública. Os tempos de hoje não aconselham, nem na aparência, que se aposte em manter as coisas como estão e não faltam, ainda que de raro em raro, exemplos entre nós e no mundo que confirmam que o status quo não é bom companheiro dos políticos.

Posto isso, podemos concluir que o recurso aos serviços e às acções das Relações Públicas é fundamental para o sucesso de quem queira fazer política.

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