Com o surgimento do privado, no início às mil maravilhas, marcava-se uma hora, pagava-se a consulta e estava a parte do problema resolvida. É verdade que, quando o assunto exigia mais que consulta, ou era mesmo urgente, era preciso recorrer ao serviço público.

Entretanto, de uns anitos para cá, as clínicas privadas, em termos de afluência, não estão muito longe do serviço público, isso com reflexo no tempo de espera de quem procura esse tipo de prestação. Há clínicas que, pela afluência, pouco ou nada diferem de certas unidades de saúde do público. Hoje, em boa parte dos casos, uma consulta paga acontece cerca de uma hora depois do prazo marcado e, nalguns casos, ela nem dura 10 ou 15 minutos.

Por isso, diante do que tenho visto e vivido, decidi voltar ao serviço público. Vivo na Achada de Santo António, e sempre que passava em frente ao Centro de Saúde do bairro achava o espaço simpático. Um dia decidi arriscar. Primeiro fui lá, saber como tinha que fazer. Fiquei surpresa com o interior do espaço, limpo, amplo, arejado e depois com a qualidade do atendimento.

Dias depois, por necessidade, lá marquei uma consulta. Nova surpresa. Na primeira meia hora, antes da entrega dos números para atendimento, uma funcionária (não sei se enfermeira, ou técnica de enfermagem) conversa com os utentes sobre um tema importante relacionado com a saúde. Nesse dia era o comportamento do utente na sua relação com o Centro de Saúde. Coisas mínimas, como não falar alto e respeitar a ordem de chegada , mas importantes.

Depois disso recebi o meu número e aguardei que me chamassem. Em menos de meia hora, fui atendida por uma enfermeira, numa espécie de triagem. Como a minha situação não era de urgente, ela marcou-me o médico para três dias depois. E, no dia da consulta, esperei 40 minutos.

A consulta foi como deve ser, numa sala ampla, bem equipada, iluminada e agradável. No final, a médica, clínica geral, disse-me que devia marcar um especialista, informando-me com que funcionário devia falar. Em cinco minutos tinha a consulta com o especialista marcada para dali a quatro dias.

Vale dizer que de todos os funcionários por que passei tive sempre um atendimento correcto. Aí, você que me lê vai dizer: - ah, com certeza sabem quem você é! Podia até ser se eu não visse como todos os utentes são tratados pelos funcionários. Alguns utentes até referiam-se ao funcionário pelo nome ou nominho. E por falar em utentes, vale destacar a forma de estar destes, resultado talvez das conversas educativas a cada início de manhã.

Diante disso, posso dizer que, como moradora da Achada de Santo António, me sinto orgulhosa do serviço de saúde que temos. É certo que cumprem a sua função em fazer bem o seu trabalho, mas um reconhecimento público por parte de uma utente não será de todo desprovido de valor. Pelo contrário, o meu voto é que assim continuem.

Espero não ser utente frequente, mas sempre que precisar é lá, no Centro de Saúde da Achada de Santo António, que espero poder recorrer. Primeiro, porque tenho sido muito bem atendida, e tenho visto também a satisfação de outros utentes e o profissionalismo com que são tratados; e segundo, porque sou daqueles que acreditam que na Saúde, como na Educação e várias outras prestações com qualidade, cabe ao Estado estar na linha da frente. O privado é bom que exista, mas nunca em detrimento do público. É para isso que servem os nossos impostos.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.
Os artigos de opinião publicados no SAPO Notícias são da inteira responsabilidade do seu autor. O SAPO não se responsabiliza por quaisquer danos morais ou intelectuais dos textos em causa, confiando no rigor, idoneidade e credibilidade dos seus autores.