Para que uma doença seja considerada uma pandemia, esta tem de estar ligada a surtos ocorrendo em diferentes regiões do mundo quase em simultâneo e, para lidar e preparar para uma pandemia, a Organização Mundial de Saúde (OMS), define 6 fases importantes que podem ser divididas em 2 etapas: preparação e mitigação1.

Coronavirus Disease 2019
FONTE: ispup.up.pt/

É nesta última fase que um país ou sistema de saúde entra caso note-se a temida transmissão comunitária. Este tipo de transmissão é assumida quando, ao aparecer um novo caso, não se consegue ligá-lo a um caso positivo já confirmado previamente ou, à passagem por um local conhecido como sendo de alto risco.

Isto significa que já não se consegue prever todas as cadeias de transmissão e, que o vírus já pode ter infetado várias pessoas na comunidade, sendo o número de pessoas infetadas muito maior do que os dados oficias.

Salvo algumas exceções, a maior parte dos países, só testa as pessoas com sintomas que procuram os hospitais, e as pessoas que tiveram contacto com casos já confirmados2. Logo, casos moderados que não procuram ajuda médica ou mesmo pessoas que não apresentam sintomas, podem propagar o vírus sem mesmo saber que estão positivos.

COVID-19 patients
FONTE: www.europeanpharmaceuticalreview.com/

Deve-se ter em mente que muitas pessoas infetadas podem pensar que têm, apenas uma constipação ou uma gripe mais forte e, mesmo pessoas que desenvolveram pneumonias podem não ser testadas atempadamente ou, porque não há testes, ou porque morrem antes destes serem realizados.

Então, poderemos ou não ter já perdido o controlo das cadeias de transmissão em Cabo Verde? Infelizmente a resposta é que possivelmente sim. Tendo em conta, o facto de as fronteiras estarem abertas até o início do estado de emergência, e de termos tido uma alta movimentação de pessoas durante o Carnaval, é possível que já haja vários casos disseminados pelo país.

Muitos terão tido uma constipação ou uma gripe forte, alguns mais idosos poderão ter tido uma pneumonia. Entretanto não tínhamos, nem temos, a capacidade de testar em altos números, sendo assim impossível de saber a verdadeira dimensão do problema.

Que fazer então se houver mais casos que não estão a ser detetados? A resposta é simples: Proteja a sua comunidade.

Assuma que já pode estar infetado e neste caso evite o contacto com outras pessoas e utilize máscaras quando tiver mesmo que sair. Ao pensar que já está infetado, mas sem sintomas pode agir de forma a proteger os mais vulneráveis e a si próprio.

A transmissão comunitária do Covid-19 pode ser inevitável, mas são as suas ações que determinarão quantos serão afetados e quando poderemos sair desta crise.

COVID-19
www.ascopost.com/

Fontes:

  • Pandemic Influenza Preparedness and Response: A WHO Guidance Document. Geneva: World Health Organization; 2009. 4, THE WHO PANDEMIC PHASES. Available from: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK143061/
  • Alberto L García-Basteiro, Carlos Chaccour, Caterina Guinovart, Anna Llupià, Joe Brew, Antoni Trilla, Antoni Plasencia, Monitoring the COVID-19 epidemic in the context of widespread local transmission, The Lancet Respiratory Medicine, 2020,ISSN 2213-2600, https://doi.org/10.1016/S2213-2600(20)30162-4.

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