1 – É crucial, essencialíssimo mesmo, o aumento da frota de viaturas do Governo, com potentes carros novos e que a aquisição seja de preferência sem concurso, de forma a mostrar o carater urgente. Favor mostrar a transparência desta ação, publicando a mesma no Boletim Oficial em data o mais próximo possível do São Silvestre, (tipo dia 31 de Dezembro) altura em que toda a população está com a atenção mais concentrada, nas ações do Governo, como todos sabemos.

2 – Todos conhecemos uma prática milenar, praticada pelos nativos americanos, conhecida por dança da chuva. Adaptando-a à nossa realidade, se é chuva que procurámos, nada como uma Autarquia, que não paga nem uma bolsa de estudo, inventar mais um Festival, e de preferência rotulá-lo de Festival da Juventude. Pois se os mesmos aderirem não é porque gostam de festas, simplesmente porque é a melhor opção para usar o Orçamento de uma Câmara Municipal que tanto contribuiu para a limpeza, desenvolvimento, segurança, saúde e bom cheiro da ilha… uma Câmara que nunca deu autorização de construção de um edifício, em pleno leito da ribeira de Chã de Alecrim.

3 – Incrementar a resistência às dificuldades económicas da população, aumentando o preço de Bens Essenciais, por exemplo leite, iogurtes e sumos de fruta. Não é de todo má ideia, apresentar uma alternativa com muito menos qualidade, para a franja da população que quer aumentar a sua resiliência gástrica, afim de ficar mais preparada para futuras intempéries.

4- As circunstâncias extraordinárias tornam qualquer promessa de campanha completamente irrelevante. Por isso, convém aumentar o elenco governamental, à volta de 40%. Tendo em conta que o grosso dos fundos para a mitigação, vêm de fora. Há que haver mais gente a ajudar no processo de “esmolar” os mesmos. E tendo em conta os milhões envolvidos, no processo, as viaturas novas, as contas de deslocação, de telemóveis, de motoristas, etc, etc, não são nada! Por isso, não se esqueçam… Se não chover quase nada em dois anos, aumentem o Governo!

5- Os Governos mais experientes e visionários, devem prever de antemão a possibilidade de seca e maus anos agrícolas. Por isso devem ter preparadas todas as condições, para que não haja nenhuma companhia nacional a operar no mercado nacional de Transportes Aéreos. Nada como ter uma companhia estrangeira, a operar no território em regime de monopólio, afim de poder contemplar a sociedade civil com os preços mais austeros, incrementando assim a já propalada resiliência económica, essencial para as populações mais carenciadas, de forma a estarem cada vez mais preparadas para o pior. A Cereja no topo do bolo seria ter uma Companhia Estrangeira que negue o transporte de doentes evacuados, em caso de emergência.

6 – É supraessencial ter as massas da população sempre entretidas. Desta feita, nada como aumentar os gastos com o Carnaval. Caso alguma ilha, não tenha grupos organizados ao ponto de poderem absorver o capital a ser injetado. Favor proceder à construção de uma bancada de 13 mil contos, de forma que os cidadãos superiores e abençoados, possam contemplar o Carnaval, realizados pelos grupos supracitados. Nada como sempre usar a lógica!

7 – A transparência faz com que o dinheiro acabe mais depressa. Por isso, o valor superior a uma dezena de milhão de euros, arrecadado em ajudas internacionais, deve ser bem distribuído, de forma opaca, em cheques de valor menor que 3 euros. Não interessa em nada, o facto que um saco de ração custe 1335$00. Baste que o Governo ajude com 300$00, em cada saco, o restante 1035$00 se converterá numa quantia bastante irrisória. Facilmente à disposição de qualquer agricultor ou criador de “Gados”… em ano de seca, ou que já vendeu parte da sua limária ao desbarato. Convém até não os informar de antemão o valor dos cheques, para que haja casos de Agricultores, que paguem 600$00 de carro para se deslocarem à cidade da Praia, para receber o seu cheque de 300$00.

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