A posição foi transmitida por Edelfride Almeida na cerimónia de abertura do seminário do Grupo Intergovernamental de Ação contra o Branqueamento de Dinheiro na África Ocidental (GIABA) para a sensibilização sobre a luta contra o branqueamento de capitais e combate ao financiamento do terrorismo para organizações da sociedade civil dos Estados-membros da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que decorre na cidade da Praia até sábado.

Segundo a diretora da UIF, “a lavagem de capitais é um meio para esconder muitos outros crimes, nomeadamente a corrupção, um flagelo que atinge os nossos países”.

“O combate [à lavagem de capitais] deve ser uma prioridade de todos”, adiantou, referindo que “um país que aspira a um desenvolvimento justo e sustentável não pode aceitar a corrupção, a lavagem de capitais e o financiamento do terrorismo”.

E acrescentou: “Precisamos de investidores e não de branqueadores.”

Considerando que “Cabo Verde não é imune à lavagem de capitais como meio de inserção de certas organizações na sociedade”, Edelfride Almeida reconheceu que o país “tem feito esforços para estar em conformidade com as recomendações internacionais”.

Ainda assim, defendeu “uma política de tolerância zero à prática destes crimes, que põem em causa os valores de uma sociedade”.

A diretora da UIF recordou que “a lavagem de capitais e o financiamento de terrorismo ocorrem em qualquer parte do mundo”, embora os países mais frágeis sejam os “alvos preferenciais deste tipo de crimes”.

“Um país onde é fácil a lavagem de capitais é um país que irá atrair comportamentos criminosos”, disse.

Por seu lado, o diretor-geral do GIABA, Kimelabalou Aba, destacou a importância da aposta na sensibilização das organizações da sociedade civil para estes crimes.

Presente nesta cerimónia, o secretário de Estado Adjunto das Finanças, Gilberto Barros, afirmou que “neste processo não se trata só de ver as instituições financeiras reforçadas, mas todo um ecossistema”.

“É importante frisar o papel do setor privado e da sociedade civil”, disse, sublinhando a importância da aprendizagem de uns países com os outros.

A este propósito, recordou que Cabo Verde está a realizar, de uma forma voluntária, uma avaliação de riscos de branqueamento de capitais.

Esta avaliação, disse, é importante para a estratégia de desenvolvimento do país.

“Temos de identificar os riscos”, afirmou, recordando que o país “atrai cada vez mais capital estrangeiro, como recentemente aconteceu com a aquisição por parte de um banco do Barém de 90% do capital de um banco de Cabo Verde".

Segundo Gilberto Barros, Cabo Verde “quer atrair ainda mais investimento estrangeiro para transformar o país numa plataforma internacional”.

Entre os vários objetivos deste seminário está a elevação do “nível de conscientização sobre os efeitos nocivos do branqueamento de capitais e do financiamento do terrorismo, melhorar a compreensão e o apoio das organizações da sociedade civil aos objetivos do GIABA e reforçar o envolvimento de atores da sociedade civil no processo de advocacia junto dos decisores”.