O Barómetro Global de Corrupção em África, divulgado pela Transparência Internacional, revela que o combate à corrupção ainda é um grande desafio no continente: mais de metade dos cidadãos entrevistados acham que a corrupção está a piorar no seu país.

Esta é a maior e mais detalhada pesquisa de opinião pública sobre suborno e outras formas de corrupção no continente africano. Foram entrevistados 47 mil cidadãos em 35 países, que falaram sobre corrupção e experiências diretas de suborno.

Na décima edição do relatório, divulgada esta quinta-feira (11.07), quase 60% dos entrevistados consideram que o Governo do seu país está a fazer pouco no que diz respeito à luta contra a corrupção.

Outra das constatações é que os jovens pagam mais subornos por serviços públicos do que os adultos com mais de 55 anos. Olhando para os rendimentos, as pessoas mais pobres pagam duas vezes mais subornos do que os ricos, diz o relatório.

São Tomé, Cabo Verde e Moçambique querem mais ação do Governo

Os países onde a corrupção está a prosperar mais do que nunca são a República Democrática do Congo, Gabão e Madagáscar. Seguem-se países como o Quénia, Camarões, África do Sul e Uganda, onde 50% das pessoas entrevistadas acreditam que os casos de corrupção aumentaram no ano passado.

Em relação aos países lusófonos que participaram na pesquisa, São Tomé e Príncipe e Moçambique apresentaram os maiores índices de percepção da corrupção, com 56% e 49%, respectivamente. Em Cabo Verde, 39% dos cidadãos perceberam aquele aumento.

No que diz respeito ao papel do Governo no combate à corrupção, quase 60% dos cabo-verdianos entrevistados disseram que as autoridades pouco têm feito neste sentido, enquanto mais de 50% dos moçambicanos e são-tomenses disseram faltar mais atitude governamental no combate à corrupção. Ainda em Moçambique, 35% dos inquiridos admitem ter pago um suborno nos últimos 12 meses.

Em todos os países da pesquisa, a polícia foi considerada a instituição mais corrupta, seguida de funcionários do Governo e deputados.

Dar o exemplo

O consultor regional da Transparência Internacional para África, Paul Banoba, diz que o combate à corrupção deve começar pelos governantes, que deveriam ser exemplo para a população: "Depende em grande parte da boa vontade nos níveis mais altos dos líderes políticos. Por isso, pedimos vontade política".

Segundo o especialista, "onde a vontade política é clara, percebe-se maior melhoria na luta contra a corrupção. Começa sempre no topo e reflete para baixo, o compromisso dos líderes".

Paul Banoba também considera necessária a participação da sociedade no combate à corrupção, nomeadamente, através de denúncias. Para isso, frisa, é preciso que "as pessoas se sintam seguras e encorajadas a denunciar a corrupção".

"Isto pode ser através de meios legais, com uma legislação para a proteção dos denunciantes com mecanismos claros a este respeito. Assim, os cidadãos sabem que esta ferramenta existe e que podem confirmar na lei", explica.

O consultor considera que a elaboração de mais relatórios sobre a corrupção em África é também um fator importante, podendo ajudar a população a perceber melhor estes casos e a denunciá-los.

Estima-se que África perde mais de 60 mil milhões de dólares por ano por causa da corrupção. No entanto, o desafio não é apenas recuperar o dinheiro perdido, mas como garantir que o montante caia nas mãos certas, uma vez recuperado.

por: Martina Schwikowski, tms

 

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