"O peso da dívida dos governos subiu em todos os países da CEDEAO que analisamos, eliminado muito do alívio da dívida concedido no princípio dos anos 2000, o que levanta preocupações sobre a sustentabilidade da dívida, potenciando custos sociais e económicos significativos", dizem os analistas da Moody's.

No relatório sobre esta região, que engloba 15 países, entre os quais os lusófonos Cabo Verde e Guiné-Bissau, a Moody's alerta que "o aumento da parte das receitas reservadas para o pagamento dos juros enfraquece a capacidade do Governo para potenciar o crescimento económico e o desenvolvimento e, em casos extremos, os governos podem optar por reestruturar a dívida para melhorar a sustentabilidade, o que pode constituir um caso de Incumprimento Financeiro".

A análise, enviada aos clientes e a que a Lusa teve acesso, alerta que o peso da dívida "está quase no dobro do que estava em 2010 e é improvável que desça".

Em 2000, o peso da dívida pública face ao PIB estava nos 80%, em média, tendo caído para 30% em 2010, essencialmente devido a um perdão de dívida proposto pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Mundial ao abrigo do Alívio da Dívida para os Países Pobres Altamente Endividados, mas em 2019 os países deste grupo chegaram a uma média de dívida de 56% do PIB, revertendo os ganhos alcançados com este programa.

"Quando a dívida sobe abruptamente, muitas vezes leva a que um Governo dedique uma parte crescente das receitas para pagar os juros dessa dívida, limitando o âmbito para programas de despesa pública mais produtivos ou mais inclusivos em áreas como a educação, a saúde e infraestruturas", alertam os analistas da Moody's.

A divida torna-se insustentável "quando é provável que suba de tal forma que se instala uma espiral negativa, em que os pagamentos da dívida impedem as despesas economicamente reprodutivas, reduzindo o crescimento e aumentando ainda mais o peso da dívida".

O relatório, que não aborda especificamente nem Cabo Verde nem a Guiné-Bissau, nota ainda que a média da dívida pública nesta região tem estado sempre a aumentar nos últimos 10 anos, subindo de menos de 30%, em 2010, para mais de 50% do PIB este ano.

O FMI, no relatório sobre as Previsões Económicas Mundiais, estima uma dívida de 123,5% do PIB em 2019 e 118,9% este ano em Cabo Verde, prevendo que a Guiné Bissau tenha uma dívida de 69,2% em 2019 e 68,2% este ano.

A CEDEAO é composta pelo Benim, Burkina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné-Conacri, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Niger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo.

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