Essa inquietação foi transmitida à Inforpress pelo secretário permanente do Sindicato dos Transportes, Telecomunicações Hotelaria e Turismo (Sitthur), Carlos Lopes, lamentando que tiveram conhecimento desta decisão nesta quarta-feira, através de um comunicado interno distribuído aos trabalhadores.

Segundo o sindicalista, o Governo anunciou que o processo da privatização da Cabo Verde Airlines está concluído e que o contrato de compra e venda de 51 por cento (%) das acções da companhia será assinado na sexta-feira, 02 de Março, com a Loftleidir.

Carlos Lopes considera que a assinatura deste acordo, que o Governo classifica de “histórico”, traduz-se para o sindicato e para os trabalhadores da empresa numa preocupação, sendo que a empresa vai passar para mãos de privado e existem ainda várias questões e reivindicações pendentes por resolver.

A assinatura do acordo de transferência da gestão do processo de pré-reforma entre a Direcção Geral do Tesouro, o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e a administração da TACV, a regularização da situação salarial dos trabalhadores de terra transferidos da Praia para o Sal e clarificação e resolução imediata da situação de um grupo de tripulantes de cabine que ainda se encontram na capital a aguardar por uma decisão são questões que constam da agenda e que, segundo o Sitthur, até a data não foram resolvidas.

Carlos Lopes explicou que os trabalhadores que adeririam ao processo de pré-reforma questionam como é que a situação ficará após a transferência de gestão da empresa para os novos accionistas, sendo que o acordo de transferência de gestão das pensões para o INPS que visa dar garantias quanto ao pagamento de reforma futuras não foi assinado.

O secretário permanente do Sitthur pede ainda que o Governo actualize a situação salarial de um grupo de trabalhadores, ou seja, todo o ‘staff’ operacional que foi transferido para a ilha do Sal que, segundo o mesmo, encontra-se em situação “extremamente precária” devido as condições do custo de vida.

“Por isso, voltamos a chamar atenção do Governo para a necessidade de resolver esta questão imediatamente, sob pena dos trabalhadores de terra virem a confrontar os novos accionistas da empresa com um processo de greve, o que não seria desejável para ambas as partes”, referiu.

Outro aspecto que o sindicalista considera também “preocupante” é a situação de um grupo de tripulantes de cabine que se encontra ainda na Cidade da Praia e cuja situação não está resolvida.

Por outro lado, Carlos Lopes disse que, de acordo com a lei de base das privatizações, ficou acordado que até 10% do capital social da TACV seria destinado aos trabalhadores e aos emigrantes de nacionalidade cabo-verdiana, mas que até a data não sabem qual é o valor das acções.

“Para os trabalhadores se posicionarem, têm de saber quais são as condições de venda, qual é o valor das acções para fazerem as suas contas, sendo que o valor e a quantidade de acções está dependente de quanto custa a empresa”, afirmou.

O sindicalista considerou que o executivo de Ulisses Correia e Silva tinha tempo suficiente para resolver todo o processo, que foi iniciado em 2017, e disse esperar que o Governo respeite todos os direitos adquiridos dos trabalhadores.

Prometeu que o Sitthur tudo irá fazer para que esses direitos sejam devidamente salvaguardados disponibilizando toda assistência técnica e jurídica necessárias.

“Esperamos que a reestruturação da empresa tenha êxito e que o Governo consiga os melhores resultados em defesa dos direitos adquiridos dos trabalhadores, e que reconsidere a sua posição na negociação com a Lofleidir Cabo Verde para que não deixem de comtemplar, também, os aeroportos internacionais Nelson Mandela, na Praia, e Cesária Évora, em São Vicente nesse processo”, afiançou.

Através do comunicado divulgado na quarta-feira, 27, o Governo anunciou a conclusão do processo da privatização da TACV e marcou a assinatura do contrato de compra e venda de 51% das acções companhia com a Loftleidir Cabo Verde para esta sexta-feira, 01 de Março.


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