Em conferência de imprensa, realizada na manhã de hoje, no Mindelo, o presidente do Sindicato da Indústria Geral, Alimentação, Construção Civil, Agricultura, Serviços, Florestas, Serviços Marítimos e Portuários (Siacsa), Gilberto Lima, explicou que a Câmara Municipal de São Vicente (CMSV) está a fugir “a sete léguas” para encontra-se com o sindicato e discutir os problemas desses trabalhadores.

Tanto assim é que, revelou, a autarquia recusou-se a receber uma nota do Siacsa a comunicar uma manifestação do pessoal da área do Saneamento da CMSV que vai acontecer na quinta-feira, junto com as operárias da Indústria Componentes e Calçados Ortopédicos (ICCO).

Este cenário, elucidou, indica que a situação laboral na ilha de São Vicente “está mal”.

“Vou denunciar publicamente, vou-me queixar através da instituição dos Direitos Humanos, não só sobre o não pagamento dos nove meses de salário dos guardas do Parque  Industrial do Lazareto, mas também devido à situação que se passa no seio dos bombeiros e no pessoal do saneamento,” afirmou Gilberto Lima.

O sindicalista disse que já comunicou esses atropelos da CMSV ao vice-primeiro-ministro, que é ministro das Finanças, que prometeu inteirar-se da situação.

Mas, lembrou que tais situações fazem mal a Cabo Verde porque as normas internacionais de trabalho também incidem sobre o país e, por isso, o Estado de Cabo Verde pode ficar “mal cotado.”

“Todo mundo sabe como é que trabalha o pessoal do saneamento, com o saco de lixo às costas, porque não há outras condições de trabalho, carregam cães e fetos mortos”, considerou a mesma fonte, que aproveitou para pedir à câmara para fornecer materiais adequados a esses trabalhadores, que, vincou, “merecem um salário melhor”.

Sobre a manifestação convocada para quinta-feira, 31, a mesma fonte declarou que o Siacsa já obteve garantias de suporte da mesma pelo comandante da Policia Nacional em São Vicente.

No entanto, ao contrário da CMSV, o sindicalista avançou que a Câmara Municipal da Praia (CMP) entrou em acordo com o Siacsa para resolver os problemas dos bombeiros e pessoal do saneamento, pelo que a manifestação que deveria acontecer na Praia foi cancelada.

Gilberto Lima citou como “resultados satisfatórios” saídos desse encontro o acordo para o aumento do subsídio de risco do pessoal de saneamento da Praia de 10 para 15 por cento (%), a elaboração do Plano de Cargos Carreiras e Salários (PCCS) para ser discutido até Março de 2020.

Vão negociar ainda a dívida de mais de 100 mil contos que a CMP têm no Instituto Nacional da Previdência Social (INPS). Ainda segundo o líder do Siacsa, o processo disciplinar instaurado pela CMP contra os bombeiros, devido à uma manifestação que realizaram, foi arquivado.

A corporação terá progressão na carreira profissional com efeitos retroactivos desde 2010 e a promoção será mediante a realização de uma formação em Janeiro de 2020.

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