“A grande questão em Cabo Verde são as condições de trabalho dos trabalhadores que muitas vezes trocam de um emprego e de ilha com um salário mesmo que seja baixo e ficam em condições desumanas. Nós temos de combater isso, e negociação colectiva é a melhor capacidade que nós temos para defender os direitos dos trabalhadores”, sustentou.

Carlos Silva falava esta sexta-feira na abertura do seminário internacional intitulado “Comparação sobre os modelos de Negociação Coletiva e de Estratégias de Sindicalização”, realizado na Cidade da Praia pela União Nacional dos Trabalhadores Cabo-Verdianos – Central Sindical (UNTC-CS), em parceria com a UGT.

Conforme realçou, Cabo Verde como Portugal são economias que dependem muito em particular dos investimentos turísticos, e são países que necessitam de investimento estrangeiro para a criação de postos de trabalho, a criação da riqueza e a promoção do desenvolvimento.

Contudo, salientou que essa necessidade não deve servir de argumento para permitir que os investidores se fixem no país e violem os direitos dos trabalhadores.

Neste sentido, disse que a UNTC-CS e os sindicatos têm o dever de defender os trabalhadores, defender os salários, defender condições de trabalho e dizer aos trabalhadores que trabalham no turismo, que quando forem trabalhar de uma ilha para outra, que e quando entrarem naquele hotel ou naquele alojamento que tem turismo, os patrões têm de as criar condições decentes e com dignidade para eles ficarem lá a viver e não irem para as barracas.

“A UGT é uma central sindical ponderada e moderada, mas não temos medo de lutar, não temos medo da luta. Se a empresa vem para cá para destruir a dignidade dos trabalhadores, então que se vá embora. E quem tem o dever, em primeiro lugar, de defender o seu povo é o Governo.  Portanto é uma matéria que a UNTC-CS tem de reivindicar e exigir na Concertação Social”, disse Carlos Silva.

O secretário-geral da UGT afirmou, por outro lado, que os patrões não estão disponíveis para os acordos colectivos de trabalho, pelo que considera que os sindicatos têm obrigação de encontrar caminho para forçar as entidades empregadoras a sentaram-se à mesa para a negociação que defenda os direitos dos trabalhadores.

“Não haver negociação colectiva ou ter uma negociação colectiva frágil que permite que muitos trabalhadores fiquem completamente abandonados à sua sorte nos locais de trabalho com os tubarões que dominam o dinheiro”, afirmou apontando, no caso de Cabo Verde e de Portugal, o setor turismo como um dos setores que carece de atenção.

Da parte do Governo sugere a adoção das portarias para alargar os acordos coletivos  negociados pelos sindicatos a todas as empresas do setor e desta forma assegurar que os direitos sejam garantidos a todos trabalhadores.

Entretanto, Carlos Silva exortou os sindicatos cabo-verdianos a estarem unidos para melhor defender os interesses dos trabalhadores.

“Se nós não tivermos estabilidade interna, o desgaste na opinião pública é uma desgraça para os trabalhadores que representamos, é um desgaste para a organização. Para a minha, para a vossa e para qualquer outra. Portanto, temos de estar unidos! As nossas guerras internas é uma coisa que a gente não tem que resolver cá fora”, disse.

O sindicalista português acrescentou ainda que o superior interesse das organizações sindicais é defender os interesses de todos e indicou que enquanto falarem para o público, para o povo cabo-verdiano, os sindicatos têm a obrigação de estarem unidos e não haver vozes dissonantes no discurso dentro da central sindical a que fazem parte.

“É o pior que pode acontecer. A divisão é logo aproveitada pelo patronato para cavalgar a onda e destruir os nossos direitos e nós temos de estar unidos” sustentou sublinhando a unidade é a forma de ser de um sindicalista.

“Só é sindicalista aquele que quer. Ser sindicalista é ter espírito de missão e não estar cá para ganhar dinheiro e servir do sindicato, mas sim para servir o sindicato o movimento sindical e servir o s trabalhadores”, acrescentou.

Carlos Silva não referiu, entretanto, às situações de críticas e guerras internas que tem surgido no seio da sua congénere e parceira cabo-verdiana de longa data, a UNTC-CS, desde que a atual presidente Joaquina Almeida assumiu a presidência da central sindical.

No que se refere ao tema do seminário “A negociação coletiva”, o secretário-geral da UGT, Carlos Silva afirmou que os patrões não estão disponíveis para os acordos coletivos de trabalho, pelo que considera que é o sindicato que tem a obrigação de encontrar caminho para forçar as entidades empregadoras a sentaram-se à mesa para a negociação que defenda os direitos dos trabalhadores.