Segundo o coordenador do Sindicato de Indústria, Alimentação, Construção Civil e Afins (SIACSA), em São Vicente, que procurou hoje a imprensa acompanhado de mais três delegados sindicais e trabalhadores da própria Silmac, a alegada “perseguição” estará a acontecer desde da participação na greve realizada no mês de maio.

Jailson d’Aguiar afirmou que a empresa de segurança privada instalou processos disciplinares a vigilantes que não compareceram ao posto de trabalho.

“Instalaram processos por um direito que vem na Constituição da República, o que consideramos algo muito feio ainda mais para uma empresa como a Silmac”, sustentou aquele coordenador, acrescentando que a empresa justifica o seu posicionamento como o argumento de que a greve foi “ilícita e que não poderia ser feita”.

Algo que o sindicalista contraria já que, como disse, a Direção geral do Trabalho entrou em contactos com as empresas de vigilantes para oficializar os serviços mínimos, mas que não chegaram a consenso.

Contudo, a empresa de segurança emitiu um comunicado com cerca de 80 nomes que cumpririam essa obrigação.

“Então se não chegaram a acordo como é que a Silmac aparece com o seu serviço mínimo a parte”, questionou o representante sindical que acusou a Silmac de estar a “falhar grave”, porque o próprio Governo emitiu depois uma lista de requisição civil em que continha outros nomes.

Por causa, dessa “confusão”,   afirmou a mesma fonte, o comunicado foi emitido “de dia para noite” e nem foi comunicado aos vigilantes.

Estes últimos que, como disse, estão agora “a sofrer represálias” como “ameaças” de despedimento por justa causa, mudanças de postos e descontos nos salários em montantes “muito superior” ao que ganham num dia.

Do outro lado, a diretora-geral da Silmac assegurou que nada disso “corresponde a verdade”.

Segundo Vera Santos, a greve era “ilegal” porque tinham assinado em fevereiro o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), que “estava a decorrer os seus trâmites legais”, e durante o pré-aviso de greve houve um encontro na cidade da Praia entre a Direção geral de Trabalho, a Associação Nacional das Empresas de Segurança Privada e os sindicatos.

“Mas os sindicatos não quiseram concertar os serviços mínimos que são exigidos pela lei, então as empresas, após concertação, fizeram chegar a quem de direito essa preocupação, tratando-se da segurança do país”, explicou a mesma fonte, acrescentando que após isso foi emitido pelo Governo a requisição civil.

Vera Santos esclareceu que a Silmac fez um comunicado para mostrar a “ilegalidade” da greve, baseando-se no artigo 126 do Código Laboral, que, como diz, mostra que “greves ilícitas fazem incorrer os trabalhadores em faltas injustificadas”. “Por isso estamos dentro da lei”, acrescentou.

A diretora-geral afirmou ainda que quatro vigilantes estão sob processos disciplinares, mas que só lhes foram descontados 500 escudos, montante ganho por dia de serviço.

Portanto, como assegurou a mesma, a Silmac está “no seu direito” e até foi reconhecido por dois dos trabalhadores que “já pediram desculpas”, por escrito.

Esta atitude, que conforme a responsável geral, vai ser tida em conta nos processos disciplinares que ainda decorrem, uma vez  que a Silmac “está sempre aberta ao diálogo”.