Aguinaldo David falava na abertura do I Fórum de Turismo Sustentável de São Vicente, organizado no quadro do projeto “Rede de promoção do turismo solidário e inclusivo, do desenvolvimento sustentável e valorização do território de São Vicente”, financiado pela União Europeia e cofinanciado pela câmara municipal local e a Pró-empresa.

É que, para o orador, articular em rede significa utilizar métodos participativos em torno de princípios e objetivos comuns, capazes de levar à “transformação social que todos almejam”.

Ademais, considerou o fórum do Mindelo uma “oportunidade única” de realizar um “diálogo aberto” considerando “todos os pontos de vista” e a “diversidade de experiências”.

“Trata-se de um momento de crucial importância para se aprofundar a reflexão sobre os modelos de turismo”, concretizou, capazes de conciliar o desenvolvimento económico local com conservação do património ambiental e humano, ao mesmo tempo que se promova estratégias de inclusão das “camadas sensíveis” da população na “fileira e na distribuição” de benefícios e riquezas.

Ao proceder à abertura oficial do fórum, o ministro do Turismo, José Gonçalves, aplaudiu a iniciativa por se tratar de “tipo de inclusividade” que o Governo quer ver de toda a sociedade civil, desde a Academia, ONG, Cooperação Internacional, autarquias, empresários e outras forças vivas, para “colaborar e participar” no desenvolvimento do turismo.

“Este é o modelo que o Governo quer privilegiar no sentido de desenvolver o turismo”, reforçou o governante, que espera que o evento seja um “palco privilegiado” para partilha de experiências e dos desafios globais do turismo solidário inclusivo e sustentável, no sentido de promover o diálogo e uma reflexão sobre modelos de turismo capazes de unir o desenvolvimento económico local e conservação do património ambiental e humano, apresentar boas práticas das áreas do turismo sustentável comunitário rural e inclusivo em Cabo Verde.

A União Europeia (UE), através do seu representante no fórum, Ulrich Weins, referiu, por seu lado, que a promoção do turismo sustentável é “uma prioridade” da Delegação da UE em Cabo Verde e que reconhece o impacto do turismo com origem na Europa no desenvolvimento do arquipélago.

Contudo, alertou para a necessidade de uma aposta na educação e na sensibilização das comunidades rumo a alteração de comportamentos das pessoas “em coisas simples”, ajuntou, como não quebrar garrafas de vidro nas praias ou evitar o abandono de cães.

“Conjuntamente, a UE e Cabo Verde desejam fomentar um modelo de turismo que envolva a população e as comunidades locais visando um turismo diversificado e de excelência”, precisou a mesma fonte.

O presidente da câmara de São Vicente, Augusto Neves, por seu lado, depois de parabenizar os organizadores do fórum, lembrou que a ilha deve aproveitar a “vertente cultural forte” para desenvolver o turismo e a economia local, pelo que, aludiu, São Vicente necessita do “esforço e do sacrifício” de todos, “fundamentalmente das associações”.

Durante três dias, mais de uma centena de personalidades ligadas a instituições governamentais, empresários e operadores do ramo do turismo, academias e investigadores, alunos, parceiros internacionais de desenvolvimento, ONG e associações comunitárias e rurais, provenientes de seis ilhas, debatem, no Mindelo, o turismo sustentável.

Os temas abarcam políticas, paradigmas e modelos de desenvolvimento sustentável para São Vicente e Cabo Verde, mas o fórum também abre espaço para partilha de experiências e de boas práticas e uma consulta pública com a União Europeia.

AA/FP