Num comunicado da conferência de imprensa dada esta quarta-feira, o movimento apontou o dedo ao navio Chiquinho BL certificado para ligar as Ilhas de São Vicente e Santo Antão,  e para o qual surgem “muitas interrogações sobre as condições de segurança, dada as suas caraterísticas estruturais para operar num canal de fortes ondulações, principalmente por causa da rampa deslizante da proa”.

Deste modo, segundo o documento, assinado pelo membro Maurino Delgado, estão “criadas as condições para um grave acidente nesse canal e pior ainda, quando os meios de salvamento são escassos”, assegurou, adiantando que contactaram várias pessoas, inclusive comandantes da marinha mercante, e pela informação recolhida concluíram que do ponto de vista da salvaguarda de vidas humanas, o barco “não está apto para o serviço a que se destina e para quem estava habituado ao navio Mar de Canal e ao navio Inter-llhas”.

“É um claro retrocesso nas condições de viagem nesse canal; vai estrangular a economia de São Vicente e Santo Antão com grande prejuízo para Santo Antão”, considerou Maurino Delgado, colocando em questão também a fiabilidade do Instituto Marítimo e Portuário (IMP), que, a seu ver, “não é uma instituição confiável tendo em conta todo o historial do passado”.

O membro do MDSV justificou a sua posição com a Convenção Solas, que é um tratado internacional para a salvaguarda de vidas humanas no mar e que Cabo Verde faz parte, mas, que, defendeu, não foi respeitado na licença atribuída ao Chiquinho BL.

Maurino Delgado relembrou o passado com o navio Pentalina, que tinha uma rampa na proa e outra na popa e não foi autorizado a navegar pela então Agência Marítima e Portuária (AMP), devido a essa condição.

“E agora a mesma instituição autoriza o Chiquinho a operar com uma rampa deslizante na proa o que vai contra as recomendações da Convenção Solas em matéria de segurança. O mesmo peso, duas medidas”, sustentou a mesma fonte.

O activista relembrou ainda acidentes marítimos em Cabo Vede, como o do navio Vicente, que se afundou em Janeiro de 2015 no porto Vale dos Cavaleiros, no Fogo, e ainda outro caso internacional do Ferry Boat Estónia, em 1994, cujo naufrágio foi causado por uma porta da proa do navio que se soltou.

“O navio Chiquinho está sujeito a ter um acidente da mesma natureza de o do Estónia por causa da rampa da proa. A proa do navio é a zona de grande impacto da força das ondas. O choque permanente e constante das ondas do mar, o desgaste e a fadiga do material podem fazer soltar a rampa.  É o risco natural que o navio Chiquinho corre”, alertou.

Por todos esses fatos o movimento reiterou estar “preocupado” com a segurança do navio nesse canal e “pede aos presidentes das câmaras municipais de São Vicente e Santo Antão, aos deputados e ao povo das duas Ilhas para agirem para que o Chiquinho seja substituído por um navio seguro e confortável”.

De referir que deputado do Partido Africano para Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), João do Carmo, já tinha apontado, no Parlamento do mês de Junho, “sérias preocupações” com a segurança do navio Chiquinho, mas, tais preocupações que o IMP deitou por terra.

O IMP esclareceu, na altura, que Cabo Verde, enquanto parte da Convenção Solas, transpôs para o seu ordenamento jurídico toda a convenção, e é “exigido o cumprimento de todas as disposições desse instrumento susceptíveis de serem aplicadas aos navios em viagens domésticas”.

O navio em questão, conforme o instituto, se encontra munido de todos os equipamentos exigidos pelo GMDSS para a Área A1 onde opera.

“O IMP, enquanto autoridade do sector, tem como foco prioritário, a segurança da navegação e de todos os que utilizam o transporte marítimo, pelo que jamais certificará um navio que não reúna todas as condições de segurança exigidas para operar”, assegurou.

LN/CP

Inforpress/Fim

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