O governante falava à margem da apresentação do primeiro draft do Master Plan do turismo de São Vicente, realizado na manhã de hoje, no Mindelo, por forma a recolher subsídios e analisar este “documento estruturante e que mostra a importância do desenvolvimento do turismo para a ilha”.

“Uma ilha que nasceu e teve o seu auge virado para o mar e com a indústria, mas agora estamos a ver que o futuro será sobretudo na vertente turística”, considerou José Gonçalves, acrescentando que isto vai ser feito “sem prejuízo” da indústria erguida com a construção da Zona Económica Especial Marítima na zona de Saragarça.

Neste sentido, conforme a mesma fonte, tudo que são actividades industriais em torno da Baía do Mindelo vão ter que se deslocar para o novo polo industrial.

“Claro que não é amanhã, o plano é até 2035 ser feita esta relocação das actividades industriais. Vamos devolver a nobreza da baía do Porto Grande para áreas de turismo, de cruzeiro, enfim tudo que é actividade ligada ao mar”, sublinhou, adiantando que haverá incentivos para as empresas fazerem esta deslocação.

José Gonçalves garantiu estar o Governo em diálogo com os responsáveis das empresas para tal finalização, até porque, reiterou, todo o plano de efectivação da Zona Económica Especial de Economia Marítima, feito em dois anos, foi articulado com “todos os actores”, desde o Governo Central, a autarquia e os operadores.

“Pela verdadeira vocação e o valor acrescentado que tem a baía e pela sua dimensão, temos que procurar melhor arranjo”, salientou o ministro com a visão de uma “utilização mais coerente e consistente”, concretizado em 15 anos, para fazer de São Vicente uma “centralidade de plataforma marítima no atlântico médio”.

Tudo isto, segundo a mesma fonte, para preservar com “medidas arrojadas” esta “Riviera”, igual a outros encontrados no mediterrâneo.

A imprensa ainda questionou José Gonçalves se, até 2035, ainda se vai conviver com o mau cheiro do sistema de saneamento na Avenida Marginal surgida com a fábrica de transformação de pescado – Atunlo, no Porto Grande, e que poderá ser agravado com a construção de “grandes empreendimentos turísticos” nesta zona.

O ministro assegurou que para isso já estão a ser tomadas medidas juntamente com a concessionária dos Portos – Enapor, com a própria Atunlo e câmara municipal para “melhorar as condições”.

“Claro que temos que melhorar as condições para poder receber bem as pessoas que nos procuram”, asseverou.

Quanto ao Master Plan do Turismo de São Vicente, está sendo feito por consultores brasileiros, e, ajuntou, “muito articulado” com o trabalho do município, abordando vários aspectos, entre os quais, a requalificação da Baía das Gatas, Terminal de Cruzeiros, o projecto do oceanário, agora retomado, e todo o aspecto cultural.

O Master Plan de São Vicente está sendo elaborado pela mesma equipa que trabalha sobre os outros projectos das ilhas do Fogo, Brava, Sal, São Nicolau e Santo Antão, este último com apresentação marcada para este sábado.

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