Carlos Santos falava aos jornalistas minutos após receber, no local, a visita da presidente do PAICV, Janira Hopffer Almada, indicando que os prejuízos acumulados desde o início da operacionalização do projecto já ultrapassam os seis mil contos.

“Fizemos seis tentativas de trazer pós-larvas para São Vicente, tivemos sucesso uma vez e meia, pois na segunda vez registamos uma alta taxa de mortalidade das pós-larvas”, exemplificou o administrador, uma vez que, ajuntou, o projecto Fazenda do Camarão depende de carga área para importar pós-larvas e depois para exportação de camarão fresco.

Neste momento, segundo a mesma fonte, a empresa deveria estar numa fase em que, a partir de 01 de Dezembro, teria camarão fresco todas as semanas no mercado, mas com o problema do transporte aéreo tal “é impossível”.

“Temos algum camarão que vai ser comercializado durante o mês de Dezembro, depois só no mês de Março é que vamos ter outras vez e, continuando o problema dos transportes aéreos, fica tudo em aberto em relação à previsibilidade da presença do produto no mercado”, reforçou Carlos Santos.

Actualmente, a empresa garante 12 empregos directos ligados à produção, ao invés dos 80 empregos previstos, pois, apesar de ter uma área de 20 hectares (que dava para 20 campos de futebol) pronta para funcionamento, desses só tem em operação 1,5 hectares.

A Fazenda do Camarão, na região do Calhau, é um investimento de 600 mil contos destinada à produção de 250 a 350 toneladas/ano de camarão marinho em dez viveiros numa área total de cerca de 28 hectares.

O projecto envolve uma diversidade de investidores/parceiros e uma composição técnica que envolve administradores do Brasil, do Uruguai e de Portugal e o gestor técnico, de Cabo Verde.

Quanto à composição dos investidores, estes são oriundos da Inglaterra, Brasil, Cabo Verde, Governo Holandês e Austrália.

Por seu lado, a presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV – oposição), Janira Hopffer Almada, após visitar a unidade de produção e auscultar os responsáveis da Fazenda do Camarão, tomou a liberdade, como disse, de pedir ao primeiro-ministro para vir visitar a empresa, por se tratar do tipo de projecto, ajuntou, que “o país necessita para se desenvolver”, que São Vicente precisa “para decolar”.

Se, por um lado, como referiu, a Fazenda do Camarão é um projecto que demonstra o “nível da ambição” dos cabo-verdianos, neste caso de empresários cabo-verdianos, por outro “traz preocupação” por o mesmo se encontrar “comprometido por falta de voos directos” São Vicente/Lisboa “pela companhia de bandeira”, a Cabo Verde Airlines.

A descontinuidade dos voos directos da TACV para São Vicente a partir de Lisboa, segundo a líder da oposição, está a colocar a ilha numa situação de “absoluto estrangulamento”, não só para a deslocação das pessoas, como também porque está a “pôr em causa a capacidade de crescimento e desenvolvimento” da ilha, da sua indústria.

“Retomar os voos directos é o apelo que faço, para retoma imediata das ligações directas a partir de Lisboa pela companhia de bandeira”, reiterou a mesma fonte, para, concretizou, “salvar um investimento” que garantirá o consumo interno de camarão (150 toneladas/ano), diminuirá a importação e, por outro lado, vai permitir exportar.

Por fim, Janira Hopffer pediu ao primeiro-ministro para analisar este tipo de investimentos e descortinar possibilidades de “apoio concreto” para esse tipo de iniciativa do empresariado nacional, que é uma “iniciativa inovadora” e que vai mudar o panorama da ilha de São Vicente.

A presidente do PAICV conclui na tarde de hoje a visita de dois dias à ilha de São Vicente com um encontro com a comunidade agrícola da Ribeira de Vinhas.