A empresarialização do sector de água é um desafio que se coloca não apenas a Santo Antão, mas a todo o pais, explicou o presidente da ANAS, que informou que, no caso desta ilha, a instituição que dirige já mobilizou verbas para  garantir a assistência técnica aos três municípios santantonenses no processo de criação da empresa intermunicipal de água.

A empresa Águas de Santo Antão resultará da fusão dos serviços autónomos de água dos municípios do Porto Novo, Paul e Ribeira Grande, iniciativa que se insere no âmbito das reformas que o Governo tem estado a realizar no sector de água em Cabo Verde.

Miguel da Mora, que se encontra em Santo Antão no âmbito da realização do ateliê de lançamento do projecto de água e saneamento desta ilha, informou que, com o novo regime jurídico de água e saneamento, recentemente aprovado, os serviços autónomos de água e saneamento os municípios vão estar sujeitos à regulação técnica e financeira.

Razão pela qual, avisou, os municípios que não optarem pela empresarialização do sector terão que “absorver os choques” resultantes das alterações tarifarias, muitas vezes incomportáveis para os orçamentos municipais.

Miguel da Mora aconselha, por isso, as câmaras municipais em Santo Antão a optarem pela empresarialização do sector, contando, para isso, com a assistência técnica da ANAS.

Os autarcas santantonenses dizem-se “engajados” na criação da empresa intermunicipal de água de Santo Antão, cujo processo decorre há já vários anos, acreditando que essa empresa vai trazer “maior eficiência e eficácia na gestão do sector de água”, nesta ilha.

O ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, que está de visita a Santo Antão, admitiu que com os investimentos previstos para a ilha, no quadro do projecto de água e saneamento, que ultrapassam um milhão de contos, serão lançadas “as bases” para a implementação da “economia circular” no sector de água e melhorados “os pressupostos” para uma gestão empresarial intermunicipal dos serviços de água e saneamento.

O presidente da ANAS, que se referia aos desafios do sector de água em Cabo Verde, disse acreditar que a empresarialização do sector de água é um desafio que se coloca a todo arquipélago, realçando o facto de já existirem empresas intermunicipais de água em algumas ilhas.

Cabo Verde, segundo este responsável, enfrenta outros desafios nesse domínio, desde logo a necessidade de dotar o país de uma “capacidade resiliente” de produção e distribuição de água, que assenta na dessalinização de água do mar.

Com a redução das precipitações em Cabo Verde, “o foco” para “os próximos anos” incidirá na dessalinizanação da água do mar para atender às demandas da população e da economia, explicou Miguel da Moura.

Neste momento, cerca de 90 por cento (%) da população, a nível nacional, já se abastece de água dessalinizada, segundo este responsável, para quem “a tendência” é assegurar “nos próximos tempos” toda a demanda da população por via da dessalinização.

Porto Novo recebe desde segunda-feira, 09, um ateliê de três dias que objectiva o lançamento do projecto de água e saneamento de Santo Antão, o qual prevê nos próximos três anos investimentos à volta de 12 milhões de dólares na ilha.

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