Orlando Delgado, que falava esta segunda-feira num ateliê de lançamento deste projecto, orçado em 12 milhões de dólares (cerca de um milhão e meio de contos), disse que “ficou de fora”, por exemplo, a lixeira intermunicipal, já considerado “uma das situações mais difíceis” no saneamento em Santo Antão e “um atentado ambiental”.

Os ambientalistas, autoridades sanitárias e os santantonenses, no geral, têm vindo a defender eliminação dessa lixeira, situada nas imediações da Ribeira Brava, na zona fronteiriça entre Porto Novo e Paul, que consideram um problema de saúde pública e um atentado ao ambiente.

“Nós não estamos contentes, porque ficaram de fora situações emergenciais que se vêm arrastando e que padecem de uma solução”, avançou o presidente da AMSA, explicando o caso dessa lixeira, utilizado pelos municípios do Paul e Ribeira Grande, que precisava ser resolvido.

Orlando Delgado destacou, igualmente, a “situação preocupante” que se vive a nível do abastecimento de água na Ponta do Sol, uma urbe  que, avançou, “cresce a olhos vistos” em termos turísticos, mas que se abastece de um furo já sobre explorado.

Desde 2015, a edilidade ribeira-grandense tem envidado esforços junto da Agência Nacional de Água  e Saneamento (ANAS) no sentido de disponibilizar 4,2 quilómetros de tubagem para ajudar a resolver o problema de água nessa cidade, lembrou o autarca.

O presidente da AMSA referiu-se ainda à Ribeira Grande, onde o abastecimento de água enfrenta, também, alguns sobressaltos, informando que esse serviço é assegurado, da mesma forma, por um único furo.

Defendeu, por isso, a necessidade se apostar num sistema integrado de abastecimento de água a esse vale, para se evitar “dificuldades maiores nos próximos tempos”.

Apesar disso, o projecto ora lançado, com duração de três anos, demonstra que “finalmente o Governo voltou a cara” para Santo Antão em matéria de água e saneamento, avançou o também presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande.

“O projecto vai ajudar a resolver um dos problemas mais cadentes em Santo Antão e em Cabo Verde, o saneamento no Porto Novo, que era uma prioridade das prioridades”, notou o autarca, considerando que “o Governo prometeu e cumpriu” com esta ilha, neste aspecto.

No Porto Novo, o projecto abarca, entre outras intervenções, a reestruturação de todo sistema de saneamento, através da ampliação da rede de esgotos, em cerca de 12 quilómetros, além da instalação de uma estação de tratamento de águas residuais (ETAR).

No domínio de água, Porto Novo receberá 25 quilómetros de tubagem, um reservatório de 300 metros cúbicos e 3.500 ligações domiciliárias, além de outros investimentos.

Na Ribeira Grande vão ser reabilitados três reservatórios, feitas três mil ligações domiciliárias e instalados nove sistemas de melhoria de qualidade de água.

No Paul, além das duas mil ligações domiciliárias, vai ser igualmente reabilitado o edifício dos Serviços Autónomos de Água e Saneamento (SAS).

O projecto, co-financiado  pelo Banco Árabe para o Desenvolvimento em África (Badea), em dez milhões de dólares, e pelo Governo de Cabo Verde, em dois milhões de dólares, consiste, também, no apoio institucional aos Serviços Autónomos de Água e Saneamento dos três municípios, aquisição de camiões  limpa fossas e transporte de água potável.

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