A comissão, criada em setembro, pela Assembleia Municipal do Porto Novo, concluiu já, com base em “documentos” na sua posse, sobre os meandros do “negócio Sotur”, que esse processo foi marcado por “várias irregularidades” com “graves prejuízos” para este concelho.

O deputado municipal João Fonseca, um dos membros dessa comissão, admitiu à Inforpress que ainda falta ouvir algumas pessoas que estiveram à frente da Sotur, mas “já não há dúvidas” de que “todo o negócio Sotur lesou Porto Novo em milhares de contos”, avançou.

Essa comissão, que esteve em ação este fim-de-semana, espera, dentro de pouco, esclarecer “o mais depressa possível” a situação de falência a que chegou a Sotur, que deixou “enormes dívidas”, para com os clientes, empreiteiros e com a banca.

A Sotur foi criada pela edilidade portonovense, em 2007, para implementar um projeto de infraestruturação de 100 hectares de terrenos na zona de Curraletes, na parte oriental da cidade do Porto Novo, para efeito de alienação.

Essa sociedade contraiu um empréstimo de 100 mil contos à banca para realizar o projeto, que, entretanto, devido a “várias irregularidades” cometidas pelas administrações, não foi avante, deixando “dívidas avultadas”, sobretudo com os clientes.

Na última sessão da AM, em finais de setembro, em que se debruçaram sobre a situação da Sotur, o presidente da câmara do Porto Novo, Aníbal Fonseca, sem avançar números concretos, reconheceu que a empresa, que “não tem qualquer ativo”, deixou “um passivo enorme” que “dificilmente” será regularizado.

Segundo o autarca, que, por inerência de funções, presidiu, nos últimos anos, o conselho da administração da empresa, está-se perante “uma situação dolorosa”, especialmente, com os clientes, muitos dos quais emigrantes.

Os clientes nunca conseguiram realizar os seus projetos imobiliários, já que a Sotur, mesmo tendo recorrido à banca, não conseguiu criar as infraestruturas (água, eletricidade, esgotos) previstas no quadro do projeto de infraestruturação de Curraletes.

A comissão, confirmou João Fonseca, já tem informações de que há “efetivamente, indícios de crimes” praticados pelas administrações que passaram pela empresa, as quais “terão de assumir as suas responsabilidades”.

Aliás, em 2010, na sequência de uma auditoria feita à Sotur, concluiu-se que foi “desviado” dos cofres da empresa um montante de 30 mil contos para as obras do Estádio Municipal do Porto Novo, medida que terá levado à derrocada dessa sociedade.

Com isso, a banca deixou de fazer os desembolsos do empréstimo de 100 mil contos, alegando que o dinheiro não estava a ser dado o fim a que foi destinado, tendo, assim, fracassado o projecto de infraestruturação de Curraletes.

Os clientes, que compraram terrenos nessa zona, a “avultados preços” (há quem tenha comprado um lote de terrenos por 1.200 contos), dizem-se “enganados” e prometem recorrer aos tribunais, caso não sejam ressarcidos pelos “enormes prejuízos” registados.

A Sotur, com os “graves problemas financeiros”, deixou, também, de pagar salários aos empregados, que já intentaram uma ação judicial contra a empresa.

O projeto de infraestruturação de Curraletes consistia na construção de rede viária, a instalação de água canalizada, de esgotos, da energia, telefone e drenagem de águas pluviais, bem como a criação de espaços verdes, zonas recreativas e de lazer e de equipamentos sociais, obras que nunca foram realizadas, apesar dos empréstimos à banca.

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