O Governo deve proceder, já em 2018, ao levantamento parcial do embargo imposto, desde 1984, aos produtos agrícolas de Santo Antão, por causa dos mil pés, praga que terá surgido nesta ilha nos finais dos anos 70.

O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, já tinha admitido, recentemente, a possibilidade de o Governo levantar, “parcialmente”, o embargo que, segundo os agricultores santantonenses, tem “estrangulado” a agricultura em Santo Antão.

O Executivo, que tem sido muito pressionado pelos agricultores, autarcas e pelas próprias estruturas ligadas à agricultura em Santo Antão, garante estar a analisar, nesta altura, “os mecanismos” com vista a levantar, numa primeira fase, de forma parcial, essa medida de quarentena, sempre contestada pelos lavradores.

Os agricultores santantonenses dizem não entender o facto de os produtos agrícolas de Santo Antão não poderem ser exportados, quando esta ilha continua a “importar pragas” provenientes das outras regiões agrícolas do pais.

“Não nos deixam exportar os produtos por causa dos mil-pés, mas somos obrigados a receber em Santo Antão toda espécie de pragas vindas de outras ilhas”, desabafam alguns agricultores, abordados pela Inforpress.

Com o embargo, os excedentes de Santo Antão deixaram de ter mercado e a agricultura, a principal atividade económica desta ilha, entrou em “claro declínio”, segundo os agricultores, que já pediram aos deputados nacionais, eleitos por esta ilha, para articularem “esforços” no sentido de levar o Governo a suspender a quarenta vegetal.

Tudo leva a crer que, já em 2018, o Governo avançará com o levantamento parcial do embargo, para permitir que os produtos cultivados nas zonas ainda livre dos mil-pés possam circular, livremente, em todas as ilhas do país.

Tarrafal de Monte Trigo, Martiene, Chã de Norte, Chã de Branquinho, todos situados no concelho do Porto Novo, são vales agrícolas em Santo Antão ainda livres dessa praga daninha.

O edil do Porto Novo, Aníbal Fonseca, defende, também , que “a questão do embargo” tem de ser revista “mais profundamente”, a bem do futuro da agricultura em Santo Antão.

O delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) no Porto Novo, Joel Barros, exortou, recentemente, os produtores em Santo Antão a “lutarem” para levar o Executivo a resolver problema de mercado para os produtos agrícolas desta ilha.

“O acesso ao mercado é difícil. Santo Antão é uma lha produtora, mas tem dificuldades de acesso ao mercado. A ilha continua sujeita a um embargo que impede, infelizmente, os produtos de chegar, com facilidade, aos maiores mercados consumidores”, segundo Joel Barros.

Este responsável entende que “é preciso lutar” para que os produtos agrícolas de Santo Antão possam chegar, sem limitações, aos mercadores consumidores em Cabo Verde.

O MAA está, também, a criar as condições para o melhor aproveitamento do centro de expurgo de Santo Antão, em funcionamento desde janeiro de 2013.

A má localização desse centro, que fica nos arredores da cidade do Porto Novo, tem sido a principal razão da seu sub-aproveitamento, segundo o MAA, que pretende proceder à sua deslocalização para a zona portuária, onde servirá melhor os agricultores.

A praga dos “mil-pés” surgiu em Santo Antão nos finais dos anos 70, vinda da Europa em plantas de jardim, trazidas por um agricultor desta ilha.

Com a sua proliferação, e como forma de impedir o seu alastramento às outras ilhas, as autoridades decretaram, em 1984, o embargo aos produtos agrícolas de Santo Antão

SAPO c/ Inforpress