A defesa dos direitos dos trabalhadores, a normalização tarifária e o saneamento são os constrangimentos que ainda condicionam a criação da empresa Intermunicipal de Água e Saneamento da ilha de Santo Antão.

Em declarações à Inforpress, o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Orlando Delgado reconhece que a criação dessa empresa “é um projeto viável”, mas que não tem avançado devido, essencialmente, a esses constrangimentos que foram identificados desde o início.

Segundo o autarca, a criação de uma empresa pressupõe o recrutamento de pessoal mediante um determinado perfil a ser estabelecido e a maior parte dos atuais trabalhadores dos Serviços Autónomos de Água e Saneamento não iriam transitar para a nova empresa e, à partida, houve alguma dificuldade em superar o problema da salvaguarda dos direitos dos trabalhadores.

O outro constrangimento que continua a dificultar a criação dessa empresa é a diferenciação tarifária existente em Santo Antão, já que o preço do metro cúbico (m3) de água para consumo é muito alto na cidade do Porto Novo (mais de 300$00/m3) por ser dessalinizada, enquanto nos outros concelhos e no interior do Porto Novo o preço do m3 de água é muito mais baixo (abaixo dos 80$00/m3).

As soluções possíveis, segundo o edil da Ribeira Grande, passam por “igualar o preço em toda a ilha, aumentando nos restantes concelhos e diminuindo na cidade do Porto Novo” conforme foi recomendado pelos técnicos que fizeram o estudo, ou por “ter tarifas diferentes naquela cidade e no resto da ilha”.

“Temos vindo a discutir essa problemática, mas ainda não chegamos a uma solução definitiva” disse Orlando Delgado garantindo que “continuam a trabalhar nesse sentido”.

Outra dificuldade que se coloca aos municípios de Santo Antão para a criação da sua empresa Intermunicipal de Água e Saneamento tem a ver com a questão do saneamento, tendo em conta que “os municípios da Ribeira Grande e do Paul têm um problema gravíssimo em termos de aterro sanitário que terá de ser resolvido o mais rapidamente possível”.

“Sem resolver a questão do aterro sanitário ficamos praticamente na mesma” disse Orlando Delgado garantindo que “estas são questões que estão sobre a mesa, nós estamos a analisar e discutir com o intuito de virmos a tal empresa Intermunicipal de Água e Saneamento”, mas esclarece o autarca que ainda não têm “um ‘timing’ definido”.

SAPO c/Inforpress