A zona de Janela integra os vales de Ribeira de Janela e de Ribeira do Penedo, além do planalto de Fajã de Janela, onde a agricultura de regadio, cerca de 70 por cento (%) das terras disponíveis, é a principal actividade económica, mas integra, ainda, a Pontinha de Janela , cuja população se dedica, essencialmente, à actividade pesqueira.

A agricultura de sequeiro não é considerada significativa, segundo aquele técnico, formado em Extensão Rural.

“As principais culturas praticadas em Janela são a cana sacarina, a bananeira e hortícolas”, disse João Sousa, explicando que a cana ocupa a principal fatia, com cerca de 60% das explorações agrícolas, a banana com cerca de 30% e as hortícolas não deverão ultrapassar os restantes 10%.

Pelas contas de João Sousa, Janela deverá produzir à volta de 40 mil litros de grogue, por ano, no total das cinco unidades de transformação aí existentes, uma produção com mercado garantido tanto a nível de Santo Antão como das outras ilhas, com destaque para a vizinha São Vicente.

Com a abundância de água, a cultura do inhame também ganha importância nos vales da zona de Janela e, no entender de João Sousa, com uma produção superior a Tarrafal de Monte Trigo, onde esse tubérculo é produzido com uma técnica inovadora, desenvolvida por um agricultor local.

Os agricultores que produzem hortícolas e inhame enfrentam, segundo João Sousa, a dificuldade de colocação do produto no mercado devido ao embargo dos produtos agrícolas de Santo Antão, por causa da praga dos mil-pés.

Por essa razão, o inhame, por exemplo, às vezes é vendido até por 60 escudos o quilo, quando na ilha de Santiago, por exemplo, o preço pode chagar aos 900 escudos, exemplificou o agricultor.

“O nosso produto estará sempre em queda no mercado enquanto persistir esta quarentena”, lamentou João Sousa, notando que a hortaliça às vezes chega a custar 20 escudos o quilo e isso significa um grande problema para os agricultores da ilha.

“Este embargo já está um bocado exagerado porque 40 anos de embargo é demais!”, desabafou Sousa, por entender que esse período é suficiente para se ter uma decisão de abertura dos mercados do Sal e da Boa Vista, ilhas onde, afirma João Sousa, a agricultura não é significativa e o mil-pés não teria impacto.

A política de crédito é outro problema que os agricultores enfrentam, tendo em conta que “os juros são altos e os bancos não concedem um período de carência suficiente”, disse Sousa, explicando que “se um agricultor recorrer a um crédito para plantar bananeira ele começa a pagar seis meses depois, mas a bananeira só produz em um ano e seis meses”.

A zona de Janela está em festa para comemorar o dia da sua padroeira, Nossa Senhora da Piedade, que se celebra a 15 de Agosto.
Para esta festa, as actividades de espiritualidade decorrem conforme o previsto, com a realização de novena e peregrinação da imagem da padroeira, uma réplica da “Pietá”, de Miguel Ângelo, que já percorreu todas as localidades da zona de Janela.

Este ano, o presidente da celebração eucarística da festa será o Cónego Nuno Amador, vice-reitor do Seminário dos Olivais, do patriarcado de Lisboa, convidado do pároco local, padre José Júlio Fortes, mais conhecido por padre Julinho.

A bênção dos emigrantes será um ponto forte da celebração eucarística deste 15 de Agosto, já que é o dia que o município local dedica aos emigrantes e já é tradição a realização de um encontro com os emigrantes em férias e a bênção especial durante a missa.

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