Segundo este responsável, que falava em conferência de imprensa na manhã de hoje, no Mindelo, tudo iniciou quando os tripulantes do navio Sotavento, da empresa Cabo Verde Interilhas (CV Interilhas), reclamaram de sobrecarga de trabalho, em que, segundo relato dos mesmos, chegaram a trabalhar “mais de 80 horas por semana”, ultrapassando o “limite máximo” estabelecido na lei, de 44 horas, e no contrato de trabalho.

Por esta mesma razão, os trabalhadores do navio que faz a ligação das ilhas Santiago, Fogo, Brava e Maio recusaram efectuar uma viagem para as ilhas do Fogo e Brava, no último dia 23.

“Esta situação, como é evidente coloca em risco a vida dos tripulantes e dos passageiros a bordo do navio”, lançou Tomás Aquino, adiantando que em resposta a reivindicação dos tripulantes a CV Interilhas ordenou, no último dia 25, o despedimento do imediato, que, por sinal, também faz parte do rol de accionistas da empresa, e desencadeou um processo de transferências de outros trabalhadores para outros navios da companhia.

“Numa clara tentativa de os intimidar, de perseguir, só pelo simples facto de terem reclamado de um direito que lhes assiste”, asseverou, indicando que a transferência não se concretizou somente porque um marinheiro chamou atenção da direcção da companhia, para o facto de os trabalhadores substitutos não conhecerem o navio.

O responsável do Simetec questionou as razões alegadas para o despedimento do imediato André David, que se basearam no facto deste ter um contrato a título experimental e que poderia ser rescindido a qualquer momento

“Mas, nós não achamos isto, foi em forma de represália e uma tentativa de intimidação a toda classe marítima de Cabo Verde e nós não vamos tolerar isto”, garantiu.

A sobrecarga horária nos navios da companhia tem sido, segundo a mesma fonte, “recorrente”, já que os funcionários do navio Interilhas, que liga São Vicente a Santo Antão, já passaram por situação semelhante.

Por isso lançou um alerta às autoridades com competência de fiscalização nesta matéria, mas sobretudo ao Governo, para tomarem medidas não só pela “violação da lei laboral do país por parte da CV Interilhas”, mas pelo facto de se “pôr em risco a vida de pessoas”.

O Simetec, conforme a mesma fonte, repudia tais práticas que “configuram trabalho forçado em pleno século XXI” e também “ fará tudo” em defesa do imediato despedido e dos restantes tripulantes da CV Interilhas.

Se for preciso, di-lo Tomás Aquino, o sindicato vai recorrer à Inspecção-geral do Trabalho e aos tribunais e pediu a união da classe, uma vez que “hoje foi um funcionário do Sotavento, mas amanhã poderá ser qualquer um dos outros trabalhadores”.

O comandante do navio, Ildeberto Lopes, também presente na conferência de imprensa e que colocou o cargo à disposição em “solidariedade” ao colega, disse que se sentiu “desautorizado”, já que nem lhe comunicaram antes do despedimento.

Por estas razões, Tomás Aquino reclamou, mais uma vez, a efectivação de uma equipa de trabalho para a “procura de soluções” de diversos problemas da classe marítima, proposta esta, assegurou, feita ao Governo há mais de um mês.

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