A interpelação foi feita este domingo pelo vice-presidente do partido, Felisberto Semedo, no final de mais uma reunião quinzenal, para analisar os temas da actualidade, tendo apelado aos governantes a deixarem os gabinetes e andarem no terreno para verem realmente como tem vivido os agricultores e criadores de gado.

O responsável apelou ainda ao Governo a tirar do papel e a começar a implementar as medidas, sendo que os 566 mil contos disponibilizados para combater a seca e o mau ano agrícola em Cabo Verde é “muito pouco” e vem muito tarde.

Na ocasião, Felisberto Semedo avançou que o plano terá uma maior incidência nos concelhos de Porto Novo, em Santo Antão, e nos municípios do Tarrafal, São Miguel e Santa Catarina, na ilha de Santiago, medida essa que classifica de “discriminatória”, e demonstra que o Governo não tem noção e nem sabe qual é a situação real das famílias cabo-verdianas.

Para este responsável, já é momento de começar a pensar em outras medidas e alternativas, nomeadamente a dessalinização da água do mar para agricultura, já que as chuvas têm sido cada vez mais escassas.

A questão da taxa moderadora no Hospital Agostinho Neto foi outro tema em debate durante o encontro do partido, que mereceu duras críticas do vice-presidente e que a considerou “muito elevada”, tendo em conta o salário mínimo de 13 mil escudos, a elevada taxa de desemprego e o facto de muitas famílias cabo-verdianas fazerem “apenas uma refeição por dia”.

“Neste momento para preenchimento da ficha de entrada, a pessoa paga 300 a 350 escudos independentemente de pagar cama para internamento ou cirurgia”, sublinhou Felisberto Semedo que avançou que o Orçamento de Estado para 2019 disponibiliza 600 milhões de escudos para viagens de titulares e cargos políticos, e apenas 35 milhões de escudos para formação e capacitação de médicos e profissionais de saúde.

Em relação ao Índice de Percepção da Corrupção, elaborado pela Transparência Internacional, no qual Cabo Verde subiu três posições, avançou que o PP discorda do último relatório divulgado a 29 de Janeiro deste ano, porque consideram que a corrupção não é desvendado na sua totalidade e as pessoas não são responsabilizadas pelos actos cometidos.

“Temos o caso do Fundo do Ambiente, Novo Banco e da Fundação Cabo-verdiana de Acção Social Escolar (FICASE), são casos ocorridos nos últimos tempos em Cabo Verde e os responsáveis ficaram impunes”, frisou o responsável, lembrando que neste momento o PP está no terreno na recolha de assinaturas para a alteração da lei de combate à corrupção.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.