Representantes das diferentes localidades alertam para a situação de “centenas” de famílias que estão a passar por “muitas dificuldades”, devido à seca, que fustiga, há três anos, Porto Novo, com particular incidência nas zonas altas deste concelho.

No Planalto Leste, mais precisamente em Lagoa, uma das zonas mais atingidas pela seca, o líder da associação local, Manuel Pinto, exortou o Governo a avançar com o prometido programa de mitigação da seca, para “socorrer” as pessoas em maiores dificuldades, nessa comunidade.

“Aqui em Lagoa, a situação está um pouco difícil, já que não houve produção agrícola e todas as famílias estão no desemprego”, declarou este líder comunitário, que defendeu a necessidade de se avançar com obras da estrada Espongeiro/Lagoa, para dar emprego às pessoas.

Na zona Norte do Porto Novo, a edilidade, face às dificuldades extremas das populações, decidiu abrir três frentes de trabalho, que empregam cerca de meia centena de chefes de família, por um período de um mês.

Mesmo assim, essa zona, também muito assolada pela seca, precisa de mais postos de trabalho para empregar outras famílias que estão a passar por privações de vária ordem, no entender do dirigente comunitário, Marciano Guilherme.

Em Ribeira das Patas, o representante da associação de desenvolvimento integrado dessa localidade, Arlindo Delgado, informou que a câmara do Porto Novo tem aberto algum emprego, mas é necessário avançar com as acções do plano de mitigação da seca, para abranger muitas famílias em dificuldades.

Para o presidente da câmara, Aníbal Fonseca, Porto Novo enfrenta três anos de seca consecutivos, que têm sido “dolorosos” para as populações rurais, sobretudo das zonas altas.

Porto Novo, um dos municípios mais atingidos pela seca em Cabo Verde, faz parte “das prioridades” do Governo no quadro do plano de mitigação da seca para 2020, conforme o ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, que anunciou, entretanto, para “ainda este ano”, o arranque das intervenções, neste concelho.

O Ministério da Agricultura e Ambiente garante que um programa de mitigação, com incidência na mobilização da água para a agricultura, na pecuária e no emprego público, continuará a ser executado em 2020, com um investimento de mais de um milhão de contos.

Durante o debate, semana passada, do Orçamento do Estado (OE) para próximo ano, o primeiro-ministro anunciou um programa de aumento da resiliência em Cabo Verde, à volta de 35 milhões de euros, para o período 2020/2023, que incidirá na mobilização da água para a agricultura, através da dessalinização da água salobra, massificação do uso das energias renováveis na produção de água e reutilização das águas residuais.

Linhas de crédito específicas para a agricultura e pecuária e incentivos fiscais para a certificação de produtos estão, igualmente, previstos no OE 2020, informou ainda Ulisses Correia e Silva.

Na sua rede favorita

Siga-nos na sua rede favorita.