Graças a este projeto, que está a ser implementado, há mais de um ano, nessas três zonas de grande potencial agrícola, em parceria com o Centro de Estudos Rurais e Agrícolas Internacional (CERAI), com sede em Espanha, os agricultores têm sido capacitados em agro-ecologia.

Segundo os mentores do projeto, a ideia é levar esses agricultores a “produzir de forma inteligente”.

O projecto de desenvolvimento integrado da agricultura nessas localidades, co-financiado em 80 mil dólares pelo GEF – Global Environment Facility, é um programa implementado pelas Nações Unidas, através do PNUD.

Ivanildo Dias, representante dos agricultores em Chã de Norte, reconhece a importância que a iniciativa está a ter no incremento da atividade agrícola nessa localidade, graças aos conhecimentos transmitidos aos lavradores sobre a utilização de fertilizantes, controlo de pragas, produção, além de outros aspectos.

“Acredito que este projeto está a ter grande impacto na atividade agrícola tanto em Chã de Norte como nos outros vales abrangidos”, notou este agricultor, enaltecendo o facto de os produtores desses três vales passarem, ainda em Abril, a tratar os seus produtos localmente, antes de os colocar no mercado.

Em Chã de Norte, zona ainda livre da praga dos mil-pés, produz-se de tudo um pouco, com destaque para a cenoura e batata comum, segundo o representante dos agricultores, para quem as condições estão a ser criadas, sobretudo em termos de disponibilidade de água, para que esta zona se transforme num importante vale agrícola.

A localidade de Martiene, graças a este projeto, está a registar “uma excelente” produção a nível de horticultura, segundo os lavradores.

Além dos conhecimentos adquiridos a nível de agro-ecologia, os agricultores estão ainda a introduzir as novas tecnologias de rega, rentabilizando, assim, os recursos hídricos e aumentando a área irrigada.

Com isso, a produção agrícola tem vindo a aumentar nesse vale, considerado o maior produtor de batata comum no cômputo da ilha de Santo Antão, com uma safra que ultrapassa um milhar de toneladas por ano.

Abordados pela Inforpress, alguns agricultores em Martiene, zona com um microclima especial, com terra fértil e ainda livre da praga dos mil-pés, perspetivam “grande futuro” para a agricultura nesse vale, onde a principal preocupação prende-se com o escoamento dos produtos.

Em Ribeira da Cruz, o projeto sobre o desenvolvimento integrado da agricultura tem permitido recuperar o potencial agrícola desse vale, considerado um produtor por excelência de cenoura.

Ribeira da Cruz, com uma produção de quase 600 toneladas de excedentes/ano, assume-se, cada vez mais, como “uma referência nacional” no setor da agricultura, graças aos projetos inovadores que têm vindo a ser implementados nessa localidade, segundo o líder da associação dos agricultores, Vanderley Rocha.

A formação sobre a agro-ecologia, dirigida pelo técnico de SARAI, Alberto Santis, abarca aspectos ligados ao uso correto de fertilizantes, controlo de pragas, produção, pós-colheita, tratamento e comercialização dos produtos agrícolas.

A formação visa dotar os agricultores de conhecimentos que lhes permitam produzir de forma inteligente, conservando os recursos naturais e fortalecendo as áreas de produção, de conservação e comercialização, segundo este técnico.

O projeto integrado sobre o desenvolvimento agrícola abarca ainda a instalação, em Ribeira da Cruz, de um centro de tratamento, conservação e comercialização dos produtos agrícolas, que vai ser inaugurado no final deste mês de Abril.

Segundo Vanderley Rocha, 300 produtores vão poder, em breve, tratar os seus produtos neste centro, pelo que acredita que os excedentes provenientes dessas zonas vão poder conquistar novos mercados.

A instalação da unidade de tratamento, embalagem e comercialização de produtos agrícolas vai ainda permitir a fixação das mulheres nessas localidades, acredita Edivaldo Neves, que é também agricultor.

Entretanto, na qualidade de dirigente da Associação dos Agricultores em Ribeira da Cruz, Neves explica que as mulheres, sobretudo jovens, têm procurado os centros urbanos para viver, já que não conseguem trabalhar na agricultura, por ser uma atividade que exige muito esforço físico.

“Se por um lado, muitos jovens de sexo masculino têm regressado à Ribeira da Cruz para investir na agricultora, acontece o inverso com as mulheres, uma vez que a faina agrícola é uma atividade um pouco pesada para elas”, notou Edivaldo Neves.