Hirondina Pinto, um dos 16 agricultores afectados, lembrou hoje em declarações à imprensa, que por causa de uma avaria nos equipamentos do furo de captação de água dessa localidade, ocorrido em Maio, os lavradores em Manuel Lopes não têm conseguido irrigar as suas culturas, pelo que “já não aguentam suportar mais essa situação”.

“Os prejuízos são altíssimos e já não estamos a conseguir aguentar mais”, notou Hirondina Pinto, que sugeriu ao Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) que pondere a possibilidade de “compensar de alguma forma” essas famílias, que já perderam “quase tudo”.

Aquiles Barbosa, outro agricultor local, disse que a continuar o problema no furo, e a consequente crise de água, a atividade agrícola em Manuel Lopes “está a correr sérios riscos de desaparecer”.

“Caso o problema se mantenha por mais tempo, os agricultores não terão outra alternativa se não abandonar as suas propriedades, que ao longo dos anos tentaram manter com “muitas dificuldades” por causa do preço elevado de água”, avisou Aquiles Barbosa.

“Com a avaria neste furo, as coisas complicaram ainda mais”, lamentou este agricultor.

Por seu turno, o lavador João Barbosa explicou que o recurso à água auto-transportada a partir das localidades próximas poderia ser uma alternativa para salvar o que ainda resta das plantações, nomeadamente bananeiras, mas os agricultores não têm possibilidades para adquirir essa água, que fica a sete mil escudos por cada dez toneladas.

Por isso, propôs ao MAA e à Câmara Municipal do Porto Novo para “tentarem socorrer” os lavradores nesse sentido.

O MAA já admitiu a possibilidade de avançar com uma nova perfuração em Manuel Lopes devido às dificuldades na recuperação da motobomba do atual furo, inoperacional desde os meados de Maio.

Conforme o delegado do MAA no Porto Novo, Joel Barros, o ministério está a encarar a possibilidade de avançar com uma nova perfuração em Manuel Lopes para poder manter a atividade agrícola nesse vale.

O furo de Manuel Lopes, cuja avaria tem privado ainda a população local de água para consumo, foi construído em 1993 e nunca tinha sofrido nenhum problema, segundo o responsável Aquiles Barbosa.

Em relação ao abastecimento público, a Câmara Municipal do Porto Novo, em parceria com a Cáritas, tem estado a abastecer a localidade com água auto-transportada.