Para a directora de Serviço, Inspecção e Controlo da IGAE, Sara Pereira, que esteve, esta segunda-feira, em Santo Antão, num colóquio sobre o alcoolismo, trata-se de “muita gente envolvida nesta questão da produção” da aguardente, que ultrapassa os quatro milhões de litros/ano.

Em seis meses (Janeiro a Junho), período destinado à produção da aguardente em Cabo Verde, produz-se 4,5 milhões de aguardente puro, facto que demonstra que existe “muita disponibilidade” desse tipo de bebida, resultando, segundo Sara Pereira, “num problema de saúde pública”, com “custos elevados” para as famílias e para as estruturas de saúde.

A responsável, que nesse colóquio fez uma comunicação sobre a fiscalização das bebidas alcoólicas na protecção da saúde, defende, por isso, a necessidade de se trabalhar a questão de qualidade da aguardente, evitando que se continue a introduzir no mercado um produto sem a comprovação sanitária.

Referindo-se ao alcoolismo como sendo “um grande problema social” em Cabo Verde, país produtor, além da aguardente, ainda de cervejas e vinhos, Sara Pereira explicou que a lei do álcool, em vigor desde Outubro, tem o propósito de restringir o consumo, com vista a “minimizar os estragos” que este fenómeno tem provocado na saúde das pessoas, sobretudo jovens.

Em termos de fiscalização, a directora de Serviço, Inspecção e Controlo da IGAE enalteceu “alguns ganhos” conseguidos entre 2018 e 2019, período em que se fez apreensão e destruição de produtos em fermentação sem os requisitos exigidos, além de bebidas sem a comprovação sanitária.

No caso de Santo Antão, onde o alcoolismo está entre “os maiores desafios” da região sanitária, com uma das maiores taxas de consumo do álcool em Cabo Verde (média de 17 litros/ano, por pessoa), as autoridades de saúde falam em “uso crónico do álcool no dia-a-dia e um padrão de consumo muito elevado”.

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