"Os parceiros enfatizam a importância de se concluir rapidamente as negociações em curso, especialmente em relação à companhia aérea nacional Cabo Verde Airlines", refere o comunicado final do encontro, apresentado em conferência de imprensa, na cidade da Praia.

Os parceiros sublinham também a necessidade de "prosseguir com reformas em outras empresas e programas que representam uma pressão financeira imediata no orçamento de Estado".

Por outro lado, o GAO considera que "embora seja importante mostrar resultados que garantam o financiamento do orçamento, as autoridades são encorajadas a garantir que as transações cumprem os princípios de competitividade, abertura e boa relação custo-benefício".

Cabo Verde tem em curso a reestruturação da companhia pública de aviação Cabo Verde Airlines com vista à sua privatização, que segundo o Governo deverá acontecer até final do ano.

O vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, presente na conferência de imprensa, não se comprometeu com uma data para a conclusão da venda da companhia pública.

"A TACV devia ter sido privatizada ontem. O processo já começou, com a avaliação da empresa, e temos um cronograma para podermos receber a proposta técnica e financeira. Estamos a trabalhar para que o mais rapidamente possível tenhamos concluído este processo", disse.

O responsável sublinhou que é um processo urgente pelos custos que a empresa representa para o orçamento de Estado, mas ressalvou que não depende apenas do Governo, mas do mercado e dos investidores.

Os parceiros do GAO fizeram igualmente a avaliação da economia cabo-verdiana, destacando que apesar da estar a recuperar "de uma prolongada desaceleração desde a crise mundial de 2008, com o crescimento real do PIB a alcançar 3,9% em 2017", os riscos de deterioração "permanecem elevados".

"Um abrandamento do crescimento projetado, atrasos na reestruturação das empresas públicas e nas reformas estruturais podem inviabilizar os esforços em curso para fazer face aos desequilíbrios externos e orçamentais e reduzir o peso da dívida. Este cenário poderia ser ainda agravado pelo crescimento mais fraco na Europa, condições financeiras globais mais restritivas e desastres naturais", considera o GAO.

Os parceiros apontaram como sinais positivos um défice fiscal próximo dos 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) e a queda da dívida para 126,0 por cento do PIB, mas alertaram para o facto de o país continuar "com alto risco de sobre-endividamento".

A primeira missão anual de revisão do Grupo de Apoio Orçamental (GAO) decorreu de 02 a 06 de julho de, centrando-se na avaliação dos critérios gerais de elegibilidade para o apoio orçamental.

Os membros do GAO - Banco Africano de Desenvolvimento, União Europeia, Luxemburgo, Portugal e Banco Mundial - concedem financiamento ao Orçamento Geral do Estado de Cabo Verde através de doações e empréstimos com o objetivo de apoiar as prioridades da política nacional de desenvolvimento.