O grupo parlamentar do PAICV (oposição) entregou hoje ao presidente do Parlamento, Jorge Santos, um projeto de resolução que recomenda ao Governo algumas medidas de “consolidação” de setores que considera “estratégicos" para a economia nacional.

À saída do encontro com Jorge Santos, a presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde, que é também líder da bancada parlamentar deste partido, Janira Hopffer Almada, disse aos jornalistas que a iniciativa visa propor “medidas que devem ser implementadas” para a "satisfação e o bem-estar dos cabo-verdianos", com vista a "potenciar o desenvolvimento do país”.

A líder “tambarina” lembrou que a Constituição da República dá aos partidos políticos com assento parlamentar a possibilidade de apresentar propostas que, na opinião dela, sejam “alternativas” e sempre na perspetiva de “conseguirmos construir juntos uma terra de mais prosperidade, mais bem-estar, mais segurança e mais esperança para os cabo-verdianos”.

Instada se acredita que a proposta do PAICV vai ser acolhida no Parlamento, tendo em conta que precisará do voto da maioria, Janira Hopffer Almada afirmou que o seu partido conta com a “responsabilidade de todos”, já que, disse, “todos devem estar interessados em colocar Cabo Verde em primeiro lugar”.

“Governar é também dialogar e ter humildade de receber propostas que possam apoiar as populações e possam incrementar o desenvolvimento de Cabo Verde”, indicou a líder da oposição, acrescentando que está a fazer a parte que lhe cabe, ou seja, apresentar propostas.

Sobre o Orçamento do Estado para 2017, revelou que o seu grupo parlamentar se encontra, neste momento, na fase de auscultar os vários setores da sociedade cabo-verdiana e debater o impacto que a proposta do OE tem no “crescimento inclusivo”.

“Para nós, é importante que haja crescimento, mas também é importante que este crescimento se traduza na redução das desigualdades e na promoção e reforço da coesão e inclusão sociais”, apontou.

Segundo a presidente do PAICV, neste momento, já se nota alguma “dessintonia” entre aquilo que o Movimento para a Democracia (MpD-poder) prometeu nas campanhas eleitorais e o que se está a apresentar ao país e as medidas que estão a ser implementadas.

“Todos sabem que entre as promessas feitas e as medidas que estão a ser implementadas já existe um grande recuo”, notou, para depois sublinhar que não é de se estranhar, uma vez que “o próprio primeiro-ministro disse há dias que o que se diz nas campanhas pode mudar quando se começa a governar”.

Na sua proposta, o PAICV recomenda, entre outras medidas, ações que visem “garantir a estabilidade financeira, por meio de políticas monetárias prudentes”. Ao setor privado, no seu entendimento, deve ser reservado um “papel central de catalisador da dinâmica económica.

SAPO c/ Inforpress

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