A Guiné Equatorial entrou na zona de livre-comércio no domingo, na cimeira da União Africana em Niamey (Níger), um projeto que visa reforçar o comércio interno continental.

“Parece-me uma decisão de sucesso”. Hoje, “os países africanos estão a receber mercadorias da Europa”, mas “os nossos produtos não são comercializados no contexto africano”, comentou.

O Acordo de Livre-Comércio Continental Africano (AfCFTA) entrou em vigor em 30 de maio, depois de ter sido ratificado inicialmente por 24 países, e pretende estabelecer um enquadramento para a liberalização de serviços de mercadorias, tendo como objetivo eliminar as tarifas aduaneiras em 90% dos produtos, o que permitiria a criação do maior mercado do mundo, com um Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 2,5 biliões de dólares.

“Vamos renunciar ao egoísmo nacional”, defendeu, considerando que o acordo irá combater as resistências de cada país.

“Muitos países recusam os produtos vizinhos e aplicam taxas alfandegárias. Agora, com este acordo vamos acabar com as taxas e as mercadorias vão entrar livremente”, disse.

No caso do seu país, “se a Guiné Equatorial tiver produção poderá estender o seu mercado aos países africanos”.

A Guiné Equatorial é um país com um grande poder de compra e elevados custos de produção, devido à dependência quase exclusiva da produção petrolífera.

Esta situação prejudica os produtores locais, em comparação com os grandes mercados dos vizinhos Gabão e Camarões.

Uma das áreas em que o país é competitivo é na energia, com um excedente energético suportado pela produção de gás natural e barragens hidroelétricas no continente, ao contrário dos países vizinhos, que apresentam um permanente défice na produção de eletricidades.

“Há que aceitar o risco” deste acordo e receber no país aqueles que “querem vir vender os seus produtos”, desde que se possa “garantir a comercialização dos nossos produtos” nos países vizinhos, acrescentou Obiang, que se mostrou preocupado com a situação social em várias zonas do continente.

A violência que existe em vários países “é a preocupação geral de todos os dirigentes de África”, disse Obiang, que questionou quem financia esses casos.

“São indivíduos pobres que se veem com armas sofisticadas. Quem é que lhes deu as armas? Quem é que está a financiar o terrorismo?”, questionou o chefe de Estado equato-guineense, que disse temer o alastrar da violência ao seu país.

“Há insegurança na Nigéria, Níger, Chade ou Mali. Essa insegurança pode chegar à Guiné Equatorial”, avisou.

O AfCFTA entrou em vigor oficialmente a 07 de julho - durante a cimeira da União Africana em Niamey, no Níger - nos países que o ratificaram.

O acordo não foi assinado ainda pela Eritreia, mas entre os países que o ratificaram contam-se as maiores economias africanas. Entre os países lusófonos, o acordo foi apenas ratificado por São Tomé e Príncipe, mas já foi aprovado por todos.

Teodoro Obiang concedeu entrevistas à Agência Lusa e ao jornal francês L’Opinion, depois da cerimónia de entrada do Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE, no poder), como observador, na Internacional Democrática do Centro África (IDC, que representa partidos de centro-direita).

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