A agência de notação financeira Moody's considerou hoje que as medidas anunciadas pela Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, para fomentar o crédito são negativas do ponto de vista de análise do 'rating' dos bancos públicos.
"As iniciativas são negativas para a análise de crédito dos bancos públicos porque vão encorajá-los a tomarem mais ativos de risco num contexto de recessão económica e elevada inflação e em que a capacidade de serviço da servir a dívida já está a desvanecer", escrevem os analistas da Moody's.
Na nota de análise sobre o anúncio presidencial, a que a Lusa teve acesso, os analistas de uma das três maiores agências de 'rating' do mundo, e a única que ainda não desceu a avaliação do Brasil para 'lixo', escrevem que as medidas "vão também colocar mais pressão sobre as posições de capital dos bancos, que já se deterioraram como resultado do rápido aumento dos empréstimos".
O Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES) será aquele que vai sofrer o maior impacto, uma vez que já está envolvido na expansão de três linhas de crédito, mas também o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, gerido pela Caixa Económica Federal, será afetado.
Na terça-feira, Dilma Rousseff foi defender junto dos deputados a necessidade de aprovar limites ao crescimento da despesa pública, novos cortes nas pensões e a reimplementação de um imposto sobre transações financeiras para abrandar o crescimento do défice das contas públicas e aumentar a confiança dos investidores, para além de potenciar o aumento do crédito por parte dos bancos públicos.
"O Brasil precisa do contributo do Congresso para continuar com a estabilização orçamental e assegurar a recuperação do crescimento", disse a Presidente na sessão que assinalou o regresso do ano parlamentar, depois da interrupção para férias de natal, na qual fez questão de estar presente, ao contrário do ano passado, em que enviou o seu chefe de gabinete.
Dilma Rousseff disse que ia colocar a discussão ideias para diminuir o pagamento de pensões, e defendeu mais flexibilidade nos objetivos orçamentais para levarem em linha de conta uma queda súbita das receitas, por exemplo, entre outras medidas de austeridade destinadas a recuperar o Brasil da pior recessão dos últimos 100 anos.
Lusa
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