Para o ministro que falava à imprensa na Cidade da Praia à margem da sua audição na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a gestão dos TACV, tendo em conta a situação financeira da companhia, após o concurso internacional para transporte marítimo inter-ilhas, pode ser o fim da CVFF.

“Eventualmente, com uma concessão única, não quer dizer que obrigatoriamente deixava de existir, mas as condições financeiras da companhia têm que ser a tempo negociado e respeitando todos os direitos que têm os acionistas, assim como os trabalhadores, vir a adequar da melhor forma e ver qual a melhor solução”, explicou o ministro quando instado pelos jornalistas sobre o encerramento do Fast Ferry, conforma afirmou numa entrevista que deu à RDP África.

De acordo com o ministro, a Fast Ferry tem recebido subsídios anuais de compensação “muito expressivos”, sendo que o último foi de mais de 70 mil contos, mas que havendo uma concessão única, não haverá este subsídio para uma outra companhia.

No entanto, revelou que a CVFF já entregou os dossiês no concurso, mas que não quer dizer que vai ficar classificado no concurso, porque há critérios claros sobre o que é exigido, nomeadamente a rentabilidade financeira dos últimos cincos anos, o que em princípio, de acordo com a presidente da Assembleia Geral da companhia numa entrevista que deu este domingo, não vá ao encontro dos critérios em pauta.

Com cerca de 53% das ações do Fast Ferry, o Estado sabe que a companhia detentora dos navios Liberdadi, Praia d’Aguada e Kriola, está numa situação de “falência técnica”, o que, pelas regras do concurso, isso não será possível.

Em relação a uma possível liquidação da CVFF, o ministro José Gonçalves esclareceu que esta medida será tomada em Assembleia Geral dos Acionista, mas foi adiantando que isso não é uma medida que vai ser tomada “amanhã”.

Em Janeiro último, o Governo tornou público o lançamento de um concurso público internacional para selecionar um parceiro estratégico e com experiência comprovada no ramo de atividades para, através de uma concessão única, passar a fazer a gestão e a exploração do serviço público de transporte marítimo de passageiro e cargas inter-ilhas.

Entretanto, o Governo espera poder ter os navios a operarem em Outubro nos mares de Cabo Verde, isto é, três meses após o término do concurso.