O ministro da Economia anunciou hoje, no Mindelo, que o Governo está a preparar os estudos para a inclusão de uma tarifa social de água e eletricidade para as pessoas com menor poder de compra.
José Gonçalves, que falava à imprensa, no Mindelo, após a primeira reunião Governo/novo conselho de administração da Electra, reconheceu que a eletricidade e a água são bens de primeira necessidade ainda “muito caros no país”, situação que, ajuntou, “dificulta grandemente o desenvolvimento” de outras áreas da economia, assim como afeta as camadas mais vulneráveis.
“Está no programa do Governo e vamos tomar medidas para mitigar esse impacto nas camadas mais vulneráveis”, precisou o governante, que explicou que, a propósito do mais recente aumento das tarifas de água e eletricidade, o Governo não pode intervir cada vez que haja uma flutuação no mercado internacional de combustíveis.
“O que aconteceu com a mais recente revisão das tarifas é que se registaram dois aumentos sucessivos do preço do combustível no mercado internacional, os quais repercutiram quatro meses depois nesse aumento do preço”, lançou José Gonçalves, que promete dialogar com a entidade reguladora por não ver necessidade, sustentou, de uma “decalage de quatro meses” a cada avaliação de novos preços, quando tal cria “mal-estar do ponto de vista social”.
“Se fosse de dois em dois meses não criava tantos empecilhos”, reforçou.
Mesmo assim, no cômputo geral, o ministro considerou que durante o último ano houve uma “redução líquida do preço de energia” e que no ano passado, nesta altura, a eletricidade “estava mais cara” no país, não obstante esse recente aumento.
Relativamente ao momento atual da empresa produtora e distribuidora de água e eletricidade, Electra, o ministro da Economia disse que “de forma geral” ficou “bastante satisfeito” com a capacidade instalada na maior parte das ilhas onde a empresa opera, e que já se está a trabalhar para o cenário futuro de separação da produção e da distribuição da Electra em duas entidades.
Ademais, explicou, o “figurino de verticalidade” que se adotou deu mais atenção no passado à vertente produção e a parte distribuição "continua a revelar fragilidades" a que se está a “dar combate” para se ter “melhor eficiência” e repercutir num preço “mais razoável” para os utentes.
“Os estudos estão em curso, há um co-financiamento do Banco Mundial, e em 2017 estarão prontas as opções a analisar e tomaremos a decisão de adequar a empresa rumo a melhor eficiência na gestão das diversas áreas”, concluiu o ministro.
SAPO C/Inforpress
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