Segundo o agricultor, da zona de Pedro Vaz, José Fernandes Andrade, a situação está “muito complicada”, tendo em conta que estão ainda, em pleno mês de Agosto, a comprar ração para alimentarem os seus animais, visto que o campo ainda está sem pasto suficiente.

Aquele homem do campo informou ainda que, após a primeira chuva que caiu no passado mês de Julho, todos os camponeses deitaram as suas sementes ao chão depositando esperança de que este ano a situação viria ser um pouco diferente em relação aos anos anteriores, no entanto, o que se está a verificar é praticamente o mesmo, ou “até mais complicado”.

“Porque já colocamos no chão todas as sementes que tínhamos guardado para esta ocasião”, justificou, acrescentando que a Delegação do Ministério da Agricultura e Ambiente disponibilizou alguma quantidade de sementes e a um preço muito acessível, mas que muitos não adquiriram, porque já tinham feito as primeiras sementeiras, acreditando que a mesma já era suficiente.

No seu caso, garantiu que apesar da vegetação estar num estado que considera “bem avançado”, mostrou-se preocupado e até considerou que tudo pode estar perdido, tendo em conta que a plantação do milho está a ser atacada pela praga da lagarta do cartucho-do-milho, frisando que mesmo após os técnicos do MAA terem realizado algum combate a situação está a piorar.

Por seu lado, Urbano Mendes afiançou que a lagarta tem vindo a atacar com muita frequência, porque, na sua opinião, a temperatura que se faz sentir na ilha também está a favorecer o aparecimento de mais pragas, principalmente a lagarta do cartucho-do-milho, que tem vindo a devastar o cultivo.

Aquele morador mostrou-se um pouco reticente quanto à melhoria do ano agrícola, pelo que disse estar ciente de que a criação de gado na ilha está a tornar-se cada vez mais complicada, e para quem quer continuar a fazê-la tem que apostar na compra de milho e ração.

Já na localidade de Morrinho, o camponês Marcelino dos Reis assegurou que com a vinda da primeira chuva no passado mês de Julho, algo que lembrou ter acontecido há mais de 30 dias, sentiu-se motivado e esperançado num bom ano agrícola, e fez a sua sementeira depositando quase tudo de que disponha, porém com o andar das coisas já não acredita que as plantas vão sobreviver e dar frutos.

A mesma fonte avançou ainda que mesmo sem desenvolverem muito devido à falta de chuva, o milho está sendo atacado pela lagarta do cartucho-do-milho, algo que lhes deixou “mesmo tristes” e nem tiveram a “coragem” de avisar os técnicos do MAA.

Referente aos animais, Marcelino dos Reis disse que a situação voltou a estar como dantes, porque o campo está praticamente sem pasto, no entanto mostrou-se ainda um pouco esperançoso de que durante o mês de Setembro vai haver alguma chuva, para pelo menos germinar pastos para os animais.

De se referir que a ilha do Maio registou a primeira chuva no passado mês de Julho, mas que não abrangeu todos os povoados na mesma quantidade, sendo a mais significativa nas zonas centro e norte da ilha cuja quantidade máxima foi de 37 milímetro, aliás em alguns povoados ainda as pessoas estão a aguardar as primeiras chuvas para iniciarem as primeiras sementeiras.

WN/ZS

Inforpress/Fim

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