O documento, rubricado pelo presidente da Associação dos Municípios de Santo Antão (AMSA) e pelo presidente da Agência Nacional de Água e Saneamento (ANAS), Orlando Delgado e Miguel Ângelo da Moura, respectivamente, prevê a implementação desse projecto no período de seis meses para resolver o problema da gestão dos resíduos sólidos urbanos nos três concelhos da ilha.

O projecto do aterro sanitário intermunicipal da ilha de Santo Antão, financiado pelo Governo de Cabo Verde através do Fundo do Ambiente e coordenado, tecnicamente, pela ANAS e pelo Gabinete Técnico Intermunicipal (GTI), é uma antiga exigência dos líderes municipais e das populações da ilha, cuja implementação representa uma grande satisfação para Orlando Delgado.

“Ninguém mais que os presidentes das câmaras municipais de Santo Antão está tão preocupado com a situação da lixeira. Costumo dizer que aquilo é, de facto, uma vergonha nacional”, disse Orlando Delgado adiantando que as câmaras, ao longo dos anos, têm vindo a apresentar alternativas e soluções para mitigar a situação que não é benéfica para os criadores, nem para as pessoas que circulam nas estradas, nem para o turismo.

O presidente da AMSA reconheceu que a actual situação da lixeira vinha-se mantendo, “infelizmente, por falta de alternativa”.

“Temos mobilizado equipamentos para quando seja possível ir resolvendo os problemas, mas este nunca será resolvido se nós não tivéssemos os recursos, que vamos ter a partir de hoje, para criarmos um acesso, melhores condições e protecção em termos do espaço da lixeira”, enfatizou Orlando Delgado garantindo que ainda no início do próximo mês vão arrancar com os trabalhos.

Entretanto o presidente da Associação dos Municípios de Santo Antão assumiu que, mesmo com a construção do aterro controlado, os “problemas não ficam resolvidos”.

“O problema de Santo Antão só fica resolvido com a construção do aterro de raiz que é um projecto de mais de 300 mil contos. Por isso queremos deixar esse desafio ao ministro do Ambiente e Agricultura e ao presidente da ANAS, para unificarem o sistema de tratamento de lixo e criarem as condições mais efectivas para o desenvolvimento mais integrado”, desafiou Orlando Delgado.

Por sua vez, o ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, disse que o aterro melhorado enquadra-se na política do Governo que visa reforçar todo o seu programa de gestão de resíduos sólidos no País.

“Estamos a falar de uma intervenção que demanda bastantes recursos já que um aterro sanitário custaria três milhões de euros, mas não há este recurso para recomeçar imediatamente. Então vamos começar por fases, primeiro surgem as lixeiras espontâneas, depois as chamadas lixeiras municipais, essas depois são transformados em aterros melhorados e esses depois darão lugar a aterros sanitários que por sua vez acoplam os chamados centros recursos porque é necessário reciclar o lixo dando valor a ele”, explicou o governante dizendo que são etapas que vão ser ultrapassadas gradualmente e já estão a trilhar por este caminho.

Gilberto Silva elucidou ainda que o aterro melhorado será construído numa área reservada de seis hectares numa zona transfronteiriça entre os municípios do Paul e do Porto Novo.

O ministro da Agricultura e Ambiente garantiu ainda que o Governo se mantem disponível dando prioridade ao ambiente e a saúde.

“Em pouco tempo vamos deixar de ver aquele cenário que conhecemos, da fumaça e do lixo na encosta. Vamos poder aterrar o lixo e geri-lo de forma adequada, ter um sítio vedado com uma cancela controlada e gente a trabalhar lá e a controlar, de forma selectiva, os resíduos que derem entrada no aterro melhorado.

Esta é uma etapa importante que vai trazer mais saúde, melhor ambiente e mais desenvolvimento à ilha de Santo Antão”, finalizou Gilberto Silva.

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