“O que antes eram perspetivas de investimento, agora transformaram-se em certeza”, referiu o chefe de Estado durante a cerimónia de anúncio da decisão final de investimento do consórcio de exploração de gás natural da Área 1 da bacia do Rovuma.

O país tem “reservas de gás natural de classe mundial”, as “maiores de África” e vai passar a ser “o maior produtor e exportador de gás natural liquefeito (GNL) do continente”.

Nyusi destacou o contributo do projeto para as receitas do Estado: 2.000 milhões de dólares por ano, a partir de 2025 e durante 25 anos.

O desafio coloca-se agora na capacidade de “melhor explorar os recursos naturais” para garantir que a nova riqueza serve para diversificar a economia e impulsionar as áreas sociais e de infraestruturas.

O consórcio da Área 1 é liderado pela petrolífera Anadarko – que deve ceder a posição à francesa Total até final do ano – e prevê um investimento em infraestruturas de 25 mil milhões de dólares, o maior de sempre no continente, segundo Karen Kelley, secretária adjunta para o Comércio dos EUA, presente na cerimónia de hoje.

O empreendimento de extração, liquefação e exportação marítima de gás natural deve entrar em funcionamento em 2024.

A cerimónia de hoje assinala “um legado para as gerações vindouras”, sublinhou Filipe Nyusi.

“O presente encontra-se com o futuro num caminho” de exploração de criação de riqueza que “deverá alavancar Moçambique na região e no mundo”

As obras relacionadas com o projeto já eram origem a 4.500 postos de trabalho para moçambicanos, 40% dos quais do distrito de Palma, onde vão ser implantados os projetos de exploração de gás natural, e estão a gerar oportunidades para as empresas do país, acrescentou.

A petrolífera Anadarko lidera o consórcio com 26,5% e o grupo que explora a Área 1 é constituído ainda pela japonesa Mitsui (20%) e a petrolífera estatal moçambicana ENH (15%), cabendo participações menores à indiana ONGC (10%), à sua participada Beas (10%), à Bharat Petro Resources (10%) e à tailandesa PTTEP (8,5%).

Além do consórcio da Área 1 um outro liderado pela Exxon Mobil e Eni (e que a portuguesa Galp tem uma participação de 10%) vai explorar a vizinha Área 4, na mesma bacia do Rovuma, a partir de 2022.

O cenário é promissor para Moçambique: no conjunto das duas áreas o país espera cerca de 95 mil milhões de dólares nos próximos 25 anos em receitas, mais de seis vezes o valor do PIB atual, de acordo com números do Governo.

No entanto, o Presidente da República realçou esta terça-feira que “os resultados não são para hoje ou amanha, virão a seu tempo” e há “expetativas para gerir de parte a parte”.

“Levará tempo a ter retorno, mas sem este passo [de hoje] os bons dias demorariam ainda mais” a chegar, rematou.

Moçambique deposita esperanças nesse novo fôlego.

Com um PIB atual de cerca de 15 mil milhões de dólares, tem estado em negociações com os credores das dívidas ocultas do Estado – contratadas entre 2013 e 2014 e sob investigação -, ao mesmo tempo que avalizou a participação da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) nos consórcios das áreas 1 e 4, com um valor de 2,25 mil milhões de dólares.

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