“Nós temos representantes do Fundo que nos assistem”, mas ainda “não chegámos a um acordo”, afirmou à agência Lusa em Malabo Teodoro Obiang.

O chefe de Estado garantiu que “o acordo chegará no momento certo”, mas ressalvou que “isso depende do Fundo" e não das autoridades equato-guineenses.

“Temos necessidade de conseguir recursos [financeiros] por causa da crise, pedimos fundos para melhorar a gestão económica do país”, afirmou.

As negociações incidem em questões de ‘governance’ e transparência das contas públicas e Teodoro Obiang admite a dificuldade em encontrar uma base de entendimento.

“Se o FMI não encontrar uma situação boa, possivelmente não pode libertar recursos, mas estou confiante de que estamos a conseguir os níveis para que libertem os fundos”, afirmou Obiang, salientando que o seu país sofre, como outros países, por causa da conjuntura internacional.

“A crise económica é generalizada, mas a boa coisa é que não temos dívida externa”, afirmou.

A dívida pública externa, estimada pelo FMI, apontava para 13% em 2019.

Quanto à “dívida interna tão pouco se pode considerar como dívida porque as empresas que executam os projetos na Guiné Equatorial estão a ser financiadas pelo Governo” e “não têm por que se queixar”.

Quanto ao futuro, Obiang espera que o país assegure a diversificação da economia, que está completamente dependente do petróleo e do preço do crude nos mercados internacionais.

“O meu desejo é que a Guiné Equatorial seja um país autossuficiente, com diversificação da economia e que possa competir com outras nações. Esse é o meu desejo”, disse.

A economia da Guiné Equatorial está em recessão desde 2015, ano em que registou um crescimento negativo de 9,1%, registando também contrações económicas de 8,8% e 4,7% nos dois anos seguintes, prevendo-se uma nova recessão de cerca de 3% neste e no ano passado.

Recentemente, a Guiné Equatorial anunciou a adesão ao programa avançado de disseminação de dados (Enhanced General Data Dissemination System, no original) do Fundo Monetário Internacional (FMI), uma plataforma de apresentação dos dados oficiais de cada país, com o objetivo de "servir de ponto único de publicação para os dados macroeconómicos essenciais sobre as contas nacionais, operações governamentais e de dívida, setor monetário e financeiro, e balança de pagamentos".

Já em junho, o Banco Africano de Desenvolvimento, que realizou os Encontros Anuais em Malabo, anunciou um apoio, até 2023, de 433 milhões de dólares aos setores agrícola, pesqueiro e aeroportuário da Guiné Equatorial, para além de reforçar a gestão das finanças públicas.

"Este apoio surge num contexto de queda dos preços do petróleo, iniciada em 2014, e de um programa de reformas económicas e financeiras apoiado pelo FMI [Fundo Monetário Internacional] através de quatro eixos prioritários: modernização do quadro regulamentar das finanças públicas, reforço da mobilização das receitas não petrolíferas, informatização das autoridades financeiras e fortalecimento da capacidade de gestão das finanças públicas", acrescenta-se no comunicado divulgado em junho.

Teodoro Obiang concedeu entrevistas à Agência Lusa e ao jornal francês L’Opinion, depois da cerimónia de entrada do Partido Democrático da Guiné Equatorial (PDGE, no poder), como observador, na Internacional Democrática do Centro África (IDC, que representa partidos de centro-direita).

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