Em conferência de imprensa realizada na localidade de Jardim, zona sul do município de São Filipe, acompanhado pelos criadores de gado, horticultores e camponeses flagelados por três anos consecutivo de seca, Luís Pires, líder do GPAIS, disse que o seu grupo está a denunciar a falta de medidas, quer da autarquia de São Filipe, quer do Governo, e, ao mesmo tempo, propor acções concretas para socorrer a população.

“De Curral Grande a Monte Largo, de Ribeira Grande a Saltos a produção neste ano de 2019 vai ser nula tanto para os homens como para os animais”, disse o líder do GPAIS, salientando que nos últimos dois anos “só não houve fome declarada na ilha por causa da emigração” já que os “mitigados e raquíticos” planos de emergência não saíram do papel.

Segundo o mesmo “o povo não tem nada, nem no campo nem nas dispensas” e para piorar a situação, explicou, o cenário é mais dramático ainda porque não há sinais de emprego público nas zonas centro e sul, as mais atingidas, observando que “a segurança alimentar é na barriga dos governados e não nos discursos dos governantes”.

Para o GPAIS,  depois de três anos de seca, o plano de emergência já devia estar em curso e a autarquia já devia ter iniciado as obras dos projectos herdados, apontando no caso de Jardim os projectos da construção de escola e do espaço desportivo para os quais herdou 15 mil contos e cujas obras estão paradas nos alicerces há dez meses.

Luís Pires disse que não quer saber se deu o não certo a central fotovoltaica e que os horticultores e os criadores da zona centro e sul querem água em quantidade e sem IVA para fazer face a estes anos de penúria.

A reparação das estradas que estão esburacadas com paredes a cair, a asfaltagem do troço de estrada Patim/Saltos, criação de incentivos para utilização de terrenos abandonados na zona norte, incentivos para parcerias entre criadores da zona sul e agricultores da zona norte, garantia de transportes e parte de mão-de-obra para os criadores recolham pasto noutras localidades, introdução de forragens mais resistentes à seca na zona sul, redução das taxas alfandegárias, aplicação sem discriminação de tarifas sociais de água e energia, criação de alternativas ambientalmente sustentáveis para extracção de inertes são algumas sugestões do GPAIS para minimizar a vida das pessoas.

O responsável do GPAIS estranha o facto das “vozes que outrora falavam por tudo e por nada” estarem agora “caladas”.

Com a denúncia das situações consideradas pelo GPAIS de “gravíssimas e que estão a ser apoucadas pelo Governo”, Luís Pires avançou que a conferência é também para pedir um plano de emergência que não seja mitigado, como em 2017 e 2018, esperando que a câmara e o Governo, no pouco tempo que resta, devem ao menos dar um sinal de acções concretas para sobrevivência da população.

Luís Pires, que é também vereador da câmara  de São Filipe, disse que esta não reúne há cerca de 40 dias e que pretende levar à próxima sessão a questão da necessidade de se implementar as medidas anunciadas para mitigar o sofrimento da população, observando que nessa altura a câmara não devia estar a preparar o plano de emergência mas ter o trabalho de casa feito para socorrer a população das zonas sul e centro.

Para o mesmo, o GPAIS está a alertar o povo “para levantar, sair à rua para reivindicar o seu direito”.

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