A Cooperativa de Produtos Agrícolas e Pecuárias (COOPAP) de Cutelo Capado tinha cerca de dois mil queijos prontos para enviar para o mercado da Cidade da Praia, no navio Praia d'Aguada, mas a suspensão da operação de descarga pelas autoridades sanitárias, alegando que o capitão do navio viajou para a ilha “sem autorização e sem ter feito o teste prévio de novo coronavírus”, criou constrangimento aos produtores.

O responsável da COOPAP, Camilo Nédio, avançou hoje a Inforpress que esta situação obrigou ao retorno dos produtos à unidade de armazenar no sistema de frio para evitar detioração e, por isso, não dispõe de capacidade para colocar novos produtos.

A única saída encontrada, prosseguiu, foi suspender a produção até que a situação de transporte seja resolvida.

Igualmente, a empresa Suifogo, que intervém na produção de derivados de pecuária, que retomou parcialmente a produção depois de um período de paralisação motivada pela pandemia de novo coronavírus (covid-19), suspendeu hoje, provisoriamente, a produção, por insuficiência de espaços para armazenar os produtos.

O administrador da empresa, Manuel Mendes, indicou que mais de dois mil queijos e requeijão estavam prontos para ser enviados para a Cidade a Praia e que a situação surgida a volta do navio Praia d'Aguada obrigou a empresa a regressar com os produtos.

A suspensão da produção, segundo o mesmo, vai durar enquanto não for resolvido o problema de escoamento, já que a empresa está no limite da sua capacidade de armazenamento, lembrando que na semana passada não conseguiu escoar os produtos devido a alteração nos transportes entre as ilhas do Fogo e de Santiago.

Além das duas unidades semi-industriais outros produtores de queijo não conseguiram escoar os seus produtos, assim como outros pequenos operadores económicos que habitualmente enviam produtos agrícolas e outros para o mercado da Cidade da Praia.

Neste momento continua ainda alguma indefinição sobre o horário da partida do navio Praia d'Aguada para a Cidade da Praia, já que às 09:30 não tinha retomado a operação de descarga, paralisada na manhã de quarta-feira, 20, pelas autoridades marítimas e sanitárias, estando todo a tripulação em isolamento no próprio navio, incluindo o capitão.

As três pessoas colocadas no início da noite de quarta-feira, 20, em quarentena obrigatória, na aldeia de Almada, a cinco quilómetros da cidade de São Filipe, após contactos com tripulação do navio Praia d'Aguada, foram transferidas depois para o Complexo Casa Oceano, que desde 30 de Março foi disponibilizado pela Associação de Solidariedade e Desenvolvimento (ASDE) ao hospital regional São Francisco de Assis, até a normalização da situação provocada pela pandemia de novo coronavírus (covid-19).

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