Em declarações à Inforpress, o director do Centro de Emprego e Formação Profissional da região, António Cardoso, avançou que o centro de Ponta Verde, que já ministra outras acções de formação, vai acolher a partir de Outubro formação na área de agricultura e pecuária, no quadro do processo da sua transformação num centro de formação agrícola.

Dadas às potencialidades existentes na ilha no sector da agropecuária (agricultura e pecuária), com grande produção a este nível e com terreno fértil, o responsável admitiu que, conseguindo mobilizar água, a ilha poderá ter maior produção a nível nacional.

“Temos um centro de formação profissional localizado na Cidade de São Filipe e todas as vezes que queremos dar uma formação relacionada com agricultura e pecuária, independentemente do nível, não tem estado a chegar ao fim e a ter o resultado e sucesso desejados e dificilmente é concluído”, disse.

António Cardoso explicou que a ideia é transformar o centro de Ponta Verde, que está numa zona com um microclima apropriado para esta actividade e com boa produção, num centro de formação agrícola agregado às outras formações.

Adiantou que um dos constrangimentos, a disponibilidade de um tracto de terreno para instalação de campo de ensaio e de experiência e que funcione como laboratório de aprendizagem, foi ultrapassado, já que o proprietário que disponibilizou terreno para a construção do centro cedeu um lote de terreno de cerca de mil metros quadrados à frente do espaço para permitir o desenvolvimento do projecto.

Após a cedência, explicou António Cardoso, a coordenação do Centro de Emprego e Formação Profissional mobilizou a parceria da delegação do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA), que não só acolheu a ideia, como também pré-disponibilizou toda a assessoria técnica neste sentido, inclusive de um engenheiro agrónomo para fazer o levantamento das necessidades e o orçamento.

O orçamento, superior a 1 milhão de escudos, foi enviado ao parceiro estratégico do Centro de Formação, a Associação Água para Viver, visando a mobilização de recursos para este projecto.

O director do centro indica que na instalação de duas estufas, de 250 metros cada, vai-se aproveitar as valências das outras formações que estão em andamento, no Centro de Ponta Verde, nomeadamente a de serralharia e alumínio, para se proceder à instalação das estufas, e de canalização para a realização de toda a parte hidráulica, de modo a reduzir os custos da implementação do centro de formação agrícola.

António Cardoso disse que em Outubro, o centro de Ponta Verde vai acolher dois cursos “estruturantes” para o desenvolvimento do sector da agricultura e pecuária, nomeadamente o de “ gestão de produção agropecuária”, de nível V e direccionado para alunos do 12º ano, uma espécie do Ensino Superior profissionalizante e que permite aos formando ter o complemento de licenciatura no INIDA, com a frequência de mais dois anos, e outro curso de nível I, direccionado às pessoas com mais do 6º ano de escolaridade e que ao longo de vários anos e ciclicamente ficaram de fora do sistema de ensino.

O objectivo é formar pessoas “altamente capacitadas”, com conhecimento teórico-prático no contexto real da prática de agricultura.

Para funcionamento do “laboratório de experiência”, informou, a delegação do MAA disponibilizou um reservatório de água, situado a menos de 200 metros do centro, para armazenamento de água das chuvas e que vai ser canalizada para o espaço onde será instalado o sistema de rega gota a gota, em parceria com a empresa Águabrava.

António Cardoso avançou que, além dos dois cursos na área agropecuária, em Outubro vai começar em Ponta Verde o curso de carpintaria para potencializar a oficina existente.

Paralelamente, no centro de formação na cidade de São Filipe, vão iniciar em Outubro duas “formações estruturantes”, sendo uma na área de animação turística de nível IV e direccionado para jovens com o 10º ano de escolaridade, e outra na área de construção civil, igualmente de nível IV.

Para António Cardoso, trata-se de uma área “importante para o desenvolvimento de qualquer região”, que é formar empresários e mestres-de-obras da construção civil.

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