O antigo ministro da Economia de Cabo Verde, Osvaldo Lopes da Silva disse ontem, 5, que concorda com o funcionamento do “hub” aéreo na ilha do Sal, mas defendeu a manutenção de alguns voos para Cidade da Praia.

“Pedíamos realizar voos Lisboa/Praia todos os dias e também um voo étnico Luanda/Praia/ Lisboa para assegurar o mercado. Mas o hub tem que funcionar na Ilha do Sal”, defendeu o ex-ministro da Economia, durante a audição parlamentar convocada pela Comissão Parlamentar de Inquérito criada para averiguar os atos de gestão da TACV.

Por outro lado, o ex-ministro da Economia disse também que a companhia deveria manter os voos domésticos em vez de uma companhia estrangeira.

O funcionamento do “hub” aéreo que tem como base a ilha do Sal, a partir de janeiro de 2018, foi anunciado recentemente pelo presidente do conselho de administração (PCA) dos Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV), José Luís Sá Nogueira.

José Luís Sá Nogueira fez este anúncio à margem da conferência “Gestão Integrada e Conectividade no Sistema HUB”, num dos hotéis da cidade Santa Maria, cuja abertura foi testemunhada pelo ministro da Economia e Emprego, José Gonçalves.

Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal do Sal considerou que o hub aéreo, um negócio que se vai fazer a partir do aeroporto da ilha do Sal, é um desafio e oportunidades para todo Cabo Verde, para que se possa tirar vantagem desse tráfego.

Júlio Lopes explicou que com o incremento do número de visitantes e de passageiros, há todo um conjunto de oportunidades que emergem e em consequência também um conjunto de desafios para os poderes públicos, a nível dos governos central e local, assim como para o privado.

“Portanto, é necessário mais investimento na área de hotelaria e noutras áreas de negócio, requalificação urbana, habitação, saúde, segurança, enfim… até transportes marítimos, para fazer face às oportunidades, para que os benefícios possam ocorrer em todas as ilhas de Cabo Verde”, renovou.

Por seu turno, os operadores económicos manifestaram-se também satisfeitos com a construção do hub, que tem como base a ilha do Sal.

Jorge Spencer Lima “Scapa”, presidente da Câmara de Comércio de Sotavento, aplaudiu também a ideia, mas disse discordar-se do encerramento de operações da TACV noutros aeroportos e o abandono de algumas linhas “importantes” para os cabo-verdianos.

“Do meu ponto de vista, isto está errado. Por exemplo, só na linha de Lisboa estamos a perder o mercado de quase 20 milhões de euros que a TACV tinha e vamos entregar à TAP. Está errado”, apontou, denotando que a política do hub está certa, correta, mas não deve excluir as outras vertentes que a TACV tinha e que “devia continuar a ter”, onde a empresa facturava  valores significativos, anuais.

Já Victor Fidalgo, representante do maior Resort Group da ilha do Sal, manifestando satisfação pela iniciativa, que “irá promover” um novo tipo de turismo, disse que Cabo Verde não pode parar.

“Temos que ter uma visão que nos leve a lançar novos objetivos, e o hub aqui no Sal é uma inovação, um desafio. Não estamos a inventar nada que não exista noutras paragens. E, agindo bem e com cautela, vamos restituir a Cabo Verde uma função que sempre teve na sua história, que é servir de encruzilhada das grandes rotas internacionais”, denotou.

SAPO c/Inforpress