Num levantamento feito pela Inforpress junto de algumas das escolas de condução espalhadas pela Cidade da Praia, constatou-se que praticamente todas as aulas, quer sejam teóricas quer práticas ou técnicas, foram canceladas.

O proprietário e monitor da Escola de Condução Actualidade, da localidade de Calabaceira e São Lourenço dos Órgãos, Carlos Silva, lamentou ter encerrado todas as actividades desde 23 de Março, quando recebeu as orientações das instâncias superiores e que tem registado “impactos muito negativos”.

Disse que trabalha normalmente com sete colaboradores/instrutores e que teve de recorrer, inclusive de “lay-off”, como forma de evitar o despedimento dos seus trabalhadores, lamentando o facto de alguns alunos, que estavam prestes a serem examinados, terem estado paralisados e ansiosos pela retoma dos trabalhos.

“Tudo parado”, é a expressão encontrada por este instrutor, para manifestar à Inforpress a sua preocupação, sentimento também corroborado por Eulália Moniz, proprietária da “Skola Nela”, na estrada nova da localidade de

Safende, para quem a escola, suspensa desde 20 de Março, teve “um prejuízo enorme”, pelo que disse estar na expectativa para reabrir as portas a 02 de Junho.

Reconhece, entretanto, que era indispensável esta suspensão, como forma de evitar a propagação do novo coronavírus da covid-19, mas lamentou que, em contra-partida, por falta de lucros, a escola está a passar por problemas para assumir as suas responsabilidades com aluguer do espaço, seguros de automóvel, e despesas com funcionários/instrutores em regime de serviços.

A proprietária afirmou que alguns dos instrutores foram contemplados com subsídios solidários, já que os salários não ultrapassem os 20.000$00, mas que apenas foi depositada apenas a verba referente ao mês de Abril e manifestou sua preocupação para com o grosso dos alunos, sobretudo com aqueles que já tinham exames programados nesse período.

“Depois de praticamente três meses parados, somos obrigados a retomarmos os trabalhos praticamente de novo, pelo que vamos ser flexíveis quanto aos contratos celebrados, pois que alguns já expiraram o prazo”, atestou Moniz, que na altura contava com 40 aprendizes.

Por sua vez, Mário Cordeiro, director “A Sintonia”, na Fazenda, disse que com mais de dois meses encerrada, esta escola de condução já está a passar por momento financeiros delicados, por falta de facturação, uma vez que todas as aulas foram suspensas, embora tenha havido uma tentativa de aulas online.

Cordeiro disse que A Sintonia, aquando desta paralisação já contava com “um bom número de alunos”, repartidos por cinco turmas de aulas teóricas, técnicas e da carteira profissional a funcional regularmente, sobretudo nos turnos pós-laboral, suportadas por duas viaturas e quatro monitores.

Espera pela decisão do seu proprietário e do aval da Direcção-Geral dos Transportes Rodoviários para a retoma dos trabalhos, mas com sustentabilidade e todas as medidas de segurança, ainda que persista o impasse quanto à forma de recuperar os ensinamentos junto dos alunos que já tinham as suas aulas adquiridas.

Enquanto isto, o responsável da escola de condução “Prevenção Rodoviária”, Djoy Gonçalves, disse que esta escola de referência teve de optar-se por aulas online, ainda que com um número reduzido de participantes, no aplicativo zoom, que permite dar aulas durante 40 minutos diários, mediante um código disponibilizado aos educandos.

Promete investir neste aplicativo para aumentar as aulas online, por entender que trará a mesma vantagem para os alunos, tendo avançado que nesta primeira fase a aposta passa por aulas abertas, nas redes sociais, a todos os interessados, mesmo que não inscritos na Prevenção Rodoviária, de forma a fazer passar o conhecimento.
Gonçalves disse, entretanto, que actualmente a sua escola já retomou as aulas presenciais, mas com menos de 50 por cento da capacidade de sala e que os alunos estão a ser integrados por turmas alternadas.

Em relação a aulas práticas, afiançou que paira uma definição na escola que dirige, porquanto espera pelo pronunciamento da Direcção–Geral dos Transportes Rodoviários para uma tomada de posição final junto dos aprendizes, e que estes aceitaram com naturalidade esta contrariedade.

Em termos financeiros, Djoy Gonçalves considera que esta paragem “foi um acidente” e que prejudica qualquer empresa, mormente as escolas de condução, que vivem da sua tesouraria, agora “com um rombo enorme, quase insustentável”, estando neste momento a ver a forma de ser recompensadas junto das instituições responsáveis.

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