Os analistas concordam que 2010 será um ano de estabilização e não de retoma, que aliás só se deverá concretizar - com o correspondente impacto no crescimento económico e no emprego - a partir de 2011.
O próprio Governo antecipa um ano de recessão para 2010, com a economia a contrair 0,3% no próximo ano, um valor bem mais positivo que a previsão para este ano, que será de uma contracção de 3,6% na economia.
Ainda assim, o Executivo de Zapatero antevê melhorias no que toca ao défice das contas públicas que, segundo o Orçamento do Estado para o próximo ano, deverá cair para 5,4%, quase metade do deste ano.
O desequilíbrio nas contas públicas foi impulsionado pelo contributo da despesa em protecção social, que deverão representar 51% dos gastos do Estado em 2010.
Apesar de alguma desaceleração, a taxa de desemprego também deverá continuar a aumentar ligeiramente - era de 18% no final de Setembro -, pelo menos até meados de 2010, podendo mesmo chegar aos 20%.
Neste cenário, Hugo Carvalho da Silva, country Manager do Banco Mais, considera, em declarações à agência Lusa, que 2010 deverá trazer um cenário idêntico ao actual. Os indicadores não terão as quedas de 2009, mas não haverá uma recuperação significativa.
"No caso do desemprego em particular vamos ter mais do mesmo. Os níveis de desemprego têm tendência a estabilizar mas não haverá retoma, neste aspecto, em Espanha", disse.
"A economia espanhola necessitará de um ano de comportamento constante de subida para ter algum impacto no emprego", previu o economista.
Também Aureliano Neves, presidente da Câmara Hispano-Portuguesa, considera que a grande retoma só surgirá em 2011. Os sintomas positivos, como o abrandamento nas quedas do PIB, não deverão ser suficientes para tirar a economia espanhola da recessão.
"O país estava com uma bolha imobiliária muito grande. Com a crise, apanhou em cheio a 'bolada' e terá dificuldade em sair. Espanha tem uma volta muito grande a dar para contornar o imobiliário e para substituir na economia o impacto deste sector", disse.
"Ainda há empresas com grandes dificuldades, as falências ainda não acabaram e, por isso, o desemprego ainda vai continuar", concluiu.
SAPO CV com Oje
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