O presidente do Conselho da Administração da Soldifogo Cooperativa, Manuel da Luz Alves avançou à Inforpress que comparativamente ao período homólogo, a solicitação de crédito situa-se à volta de um quinto, adiantando que esta situação é elucidativa de que as pessoas estão conscientes e sabem que não têm onde aplicar os créditos devido à pandemia do novo coronavírus.

“Há muito menos pessoas a pedir crédito e muito mais clientes a solicitar a moratória no pagamento”, indicou o responsável da Soldifogo Cooperativa, observando que “não há incumprimento por má-fé ou deliberado” mas devido à situação que se vive já que muitos dos clientes são pessoas ligadas ao sector informal da economia.

O PCA da Soldifogo Cooperativa indicou que contrariamente ao ano passado, neste momento não existe uma linha de crédito em condições favoráveis, isto é, sem juros e com período prolongado de carência, para apoiar criadores de gado e outros operadores afectados pela seca que agora se junta com a pandemia, lembrando que a linha de crédito anterior era disponibilizada pelo Governo e gerida pela Soldifogo.

Segundo o mesmo, a sua instituição está a negociar com o Governo a atribuição de uma linha de crédito semelhante para apoiar criadores e operadores de economia informal, mas não foi aceite apesar da possibilidade de aceder aos bancos em condições mais favoráveis com bonificação nos juros de 50 por cento (%) e igual percentagem na garantia, mas até este momento nada está concretizado.

Este explicou que para a situação de pandemia não existe qualquer linha de crédito exclusivo, adiantando que em relação à moratória no pagamento das dívidas é para aqueles que realmente perderam rendimento e a sua instituição tem repassado esta informação aos seus clientes e compreendido os que estão nesta circunstância.

A Soldifogo Cooperativa iniciou as suas actividades a partir de 01 de Janeiro de 2019 e está sujeita à prestação mensal de contas e à auditoria do Banco Central, à semelhança das outras instituições de micro-finanças existentes no país.

A pretensão da Soldifogo é atribuir crédito mais baixo sobretudo ao sector produtivo como indústria de transformação na área de agricultura, pecuária e outras iniciativas que possam gerar rendimento e a previsão é aumentar o número de clientes activos para mais de 1.600 e ter uma carteira de crédito de mais de 150 mil contos.

Esta instituição de micro-finanças, segundo os seus responsáveis, está longe de cobrir a faixa de clientes que solicitam crédito já que, pelos seus cálculos, estima que apenas cerca de 20% dos clientes que não têm acesso a bancos formais são atendidos por instituições do género.

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