Carlos Santos, que falava em entrevista à RCV, explicou que os transportes aéreos são os sectores mais atingidos pela pandemia do novo coronavirus, de forma indirecta, criando dificuldades para todas as companhias a nível mundial, que tiveram as suas actividades suspensas, devido ao encerramento das fronteiras em todo mundo.

“Só para terem a ideia, para o terceiro trimestre de 2020 a Iata prevê que haverá cerca de um prejuízo de 39 mil milhões de euros para todas as companhias do mundo e a CVA não irá ficar de fora desse quadro, precisamente porque é uma companhia que estava num processo de descolagem”, disse.

As contas aos prejuízos ainda não foram feitas, mas Carlos Santos salienta que só o facto dos aviões de CVA, que são alugados, estarem quase trinta dias sem voos, já se pode ver que a situação é complicada.

“A companhia tem os seus compromissos junto da Iata, junto da empresa de leasing que aluga os aviões e junto dos cerca de três centenas de trabalhadores. Portanto, já da para ver que haverá um impacto grande a nível dos resultados da empresa”, disse, frisando que os aviões estão imobilizados, mas os custos continuam, deixando um grande buraco financeiro.

O futuro ainda é incerto, até porque, salientou, a crise está no inicio e não se sabe até quando a pandemia vai demorar. Por isso, adiantou que as previsões não são encorajadoras.

“Há projecções que nos próximos três meses, a companhia poderá não voar e isso terá um impacto estrondoso nos resultados. Por isso, neste momento, não poderemos dizer de forma séria o que é que vai acontecer com a companhia CVA. É uma risco que corremos, que tem de ser analisado porque isto está a acontecer com outras companhias”, respondeu, quando questionado se a empresa corre o risco de fechar as portas.

Entretanto, adiantou que neste momento há instrumentos financeiros que o Banco Mundial e o Banco Africano de Desenvolvimento estão a apresentar. com soluções que podem ser destinadas para o sector aéreo.

“Estamos também a estudar essas soluções…Agora, caberá termos a capacidade de analisar as perdas, ver os caminhos que podemos trilhar e sobrevoar essa situação”, disse o governante, indicando que uma equipa já está a trabalhar nessa matéria e numa possibilidade de revisão do contrato assinado com a Icelandair.

Carlos Santos salientou, entretanto, que para este momento o pagamento dos salários aos trabalhadores está garantido.

Por outro lado, adiantou que o Hub aéreo do Sal não estará em risco, dado que, conforme indicou, há estudos que demonstram que o Sal continua a ser o epicentro de uma estratégia de desenvolvimento de uma plataforma logística aérea em Cabo Verde.

Em Março de 2019, o Estado vendeu 51% da então empresa pública TACV (Transportes Aéreos de Cabo Verde) por 1,3 milhões de euros à Lofleidir Cabo Verde, uma empresa detida em 70% pela Loftleidir Icelandic EHF (que ficou com 36% da CVA) e em 30% por empresários islandeses.

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