Numa nota de imprensa enviada à Inforpress, os guias revelam que apesar do plano de formação e de uma bolsa anunciado pelo ministro do Turismo, Carlos Santos, durante uma reunião realizada online através da plataforma Zoom, “continuam a faltar estratégias concretas e propícias às necessidades do momento”.

Afirmam que são mais de mil guias de turismo em Cabo Verde que hoje “vivem momentos de dificuldade” causados pelo “constrangimento financeiro” e o “desemprego súbito resultante da pandemia”.

Por causa disso, pedem “soluções realistas” do Governo e do Ministério do Turismo, que lhes permitam “sustentar as suas famílias e dar conta das necessidades básicas do dia-a-dia”.

"Uma formação é bem-vinda sim, sempre e quando for de forma estratégica, com metas adequadas às necessidades do grupo laboral em questão num determinado período de tempo", disse Sayde Monteiro, guia turístico residente na ilha de Santiago, para quem apesar da importância da preparação para o turismo pós-covid-19, neste momento, o que precisam é de apoio financeiro, ou seja, de um subsídio para resolver os seus problemas financeiros.

“Não achamos adequado e tão-pouco de bom-tom sugerir um subsídio dependente da participação dos guias na formação, conforme foi proposto pelo ministério durante a conferência. E não é pelo facto de os guias não estarem organizados e/ou formalizados que não podem ceder apoio", defendeu na nota.

Andrio Sanches, outro guia residente na ilha de Santiago, referiu que os guias também pagam impostos, pagam a previdência social mas, não têm nenhum financiamento da parte do Governo.

“Não houve financiamento para os guias de turismo para pagar, por exemplo, quatro ou cinco meses de salário. Se tivermos um financiamento por parte dos bancos, poderemos pagar perfeitamente e, após a retoma da economia, devolveremos esse dinheiro ao banco. Portanto, não houve até então uma estratégia acertada para os guias”, sustentou no mesmo documento.

Para Sónia Ferro em São Vicente, que trabalha como guia há mais de 20 anos, são tantos os problemas que estão a enfrentar por “não terem uma renda de subsistência”.

"A prioridade é o apoio para as despesas mínimas como água, electricidade, alimentação, não só para os guias mas para os seus familiares e os seus filhos menores", afirmou, realçando que alguns dependem da boa vontade dos seus familiares, outros sequer têm apoio e outros “não fazem ideia de onde tirarão dinheiro na semana seguinte para alimentar as suas famílias, pois não contam com apoio”.

“Então, digam, onde é que cabe a formação nas nossas cabeças neste momento", questionou Sónia Ferro.

CD/ZS

Inforpress/Fim

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