Numa mensagem aos passageiros, o presidente e diretor executivo da companhia, privatizada pelo Governo  em março de 2019, explica que a CVA está “orgulhosa” por estar a “operar voos de repatriamento”.

“Trabalharemos de forma a levar suprimentos para Cabo Verde e transportando material médico, conforme pedido, mas, pela segurança de todos nós, as operações comerciais de voo estão interrompidas até 01 de julho de 2020”, refere.

Uma decisão que, sublinha Erlendur Svavarsson, “não foi tomada de ânimo leve”.

“E sabemos que isto poderá causar transtorno nas suas viagens. Estamos nisto juntos e pedimos a sua compreensão. Iremos seguir de perto a propagação da pandemia e monitorizar os seus efeitos, enquanto trabalhamos de perto com o Governo de Cabo Verde para assegurar a sua segurança e a das populações dos quatro continentes que conectamos”, acrescenta.

O Governo suspendeu todos os voos internacionais por um período inicial de 30 dias em 18 de março, para conter a propagação da pandemia de covid-19 ao arquipélago, deixando a companhia sem atividade.

A CVA realizou seis voos de repatriamento, com 763 passageiros de várias nacionalidades, apesar da suspensão da atividade comercial desde 18 de março, devido à pandemia de covid-19, disse à Lusa, em 05 de abril, o presidente da companhia.

Erlendur Svavarsson acrescentou na ocasião que nos dias 24 e 28 de março, já com Cabo Verde encerrado a voos comerciais para o exterior, a companhia realizou dois voos de repatriamento entre a Praia e Boston (Estados Unidos), transportando 365 passageiros norte-americanos e regressando com um total de 62 cidadãos cabo-verdianos.

Explicou que a companhia tem “estado envolvida em outros voos de repatriamento, organizados pelo Governo de Cabo Verde e pelas entidades diplomáticas dos respetivos países”, mantendo a “vontade de apoiar todas as autoridades governamentais a levar de volta cidadãos aos respetivos países de origem”.

Entre a ilha do Sal (Cabo Verde) e Fortaleza foram repatriados 109 cidadãos brasileiros, regressando daquela cidade brasileira com 39 cabo-verdianos. Foram ainda realizados voos entre o Sal e Lisboa, para repatriar 179 portugueses, e de regresso àquela ilha com nove cabo-verdianos.

A companhia cabo-verdiana conta atualmente com 330 trabalhadores.

Questionada pela Lusa com a possibilidade de recorrer à suspensão dos contratos, medida previsto pelo Governo cabo-verdiano para as empresas com a atividade afetada pela pandemia de covid-19, Erlendur Svavarsson não descartou esse cenário.

“A Cabo Verde Airlines está a avaliar as medidas governamentais de apoio às empresas e tomará as ações que considerar necessárias para proteger os seus colaboradores neste contexto difícil”, apontou.

Cabo Verde cumpre hoje 12 dias, de vinte previstos, de estado de emergência, declarado para conter a pandemia provocada pelo novo coronavírus, com a população obrigada ao dever geral de recolhimento, com limitações aos movimentos, empresas não essenciais fechadas e todas as ligações interilhas suspensas, entre outras medidas.

Em 22 de março, em entrevista à Lusa, o primeiro-ministro de Cabo Verde afirmou que a CVA será uma das empresas objeto de medidas de apoio à economia e que a alienação dos 39% que o Estado ainda detém na companhia será adiada.

A propósito das consequências da pandemia da covid-19 no arquipélago, que já regista sete casos em três ilhas, com um óbito, e que se encontra fechado aos voos do exterior, Ulisses Correia e Silva recordou que a atividade de transportes aéreos “é das mais atingidas pela crise atual, a nível mundial”.

“Cabo Verde não é exceção. A CVA sofre as consequências das medidas que todos os países estão a tomar de fecho das fronteiras aéreas, incluindo as que Cabo Verde já tomou. A CVA consta obviamente do leque de empresas que serão objeto das medidas de apoio à economia”, assumiu.

A companhia aérea de bandeira foi privatizada em março de 2019, com a venda de 51% do capital social a investidores islandeses, liderados pela Icelandair. Durante o ano de 2019 avançou ainda a venda de 10% a trabalhadores e emigrantes, e estava prevista a venda da restante participação a investidores institucionais.

“Quanto à participação no capital social, o Estado detém 39%. Está prevista a alienação dessa participação, mas este não é o momento de o fazer”, afirmou o primeiro-ministro, na entrevista à Lusa.

O número de mortes em África ultrapassou as 500 num universo de mais de 10.500 casos registados em 52 países, de acordo com a mais recente atualização dos dados da pandemia no continente.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,5 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 87 mil.

Dos casos de infeção, cerca de 280 mil são considerados curados.

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