Numa entrevista concedida à Inforpress, a propósito do Dia de África, que hoje se assinala, o presidente da Câmara de Comércio de Sotavento (CCS) disse que a criação da Zlecaf é uma “boa iniciativa” a nível continental, e que o problema que se põe é que as trocas comerciais, neste momento, entre os países africanos são “muito reduzidas”, devido à falta de meios de transportes, sobretudo marítimos.

“É impossível haver trocas comerciais se não houver transportes e o grande problema entre os países africanos neste momento é a nível de transportes, sobretudo de transportes marítimos”, considerou, acrescentando que mesmo a nível de transportes aéreos, muitas vezes para ir de um país ao outro tem que se deslocar à Europa para fazer a conexão.

Portanto, acrescentou a mesma fonte, se não se envidar esforços para resolver o problema de conexão e de conectividade entre os países africanos, só com o livre trânsito ou livre comércio não vão poder comprar nem vender.

“É esse um dos problemas que tem impedido que o comércio intra-africano se desenvolva e se consolide”, considerou Spencer Lima.

O presidente da CCS defende ainda que a África tem que produzir mais, porque não pode continuar “eternamente” a ser uma fonte de fornecimento de matéria-prima aos países ricos.

“Tem que se transformar, neste caso a industrialização da África é fundamental. A África tem muita matéria-prima que pode ser transformada no continente africano e é para essa via que temos que ir. Temos que produzir e exportar”, advogou.

Outra questão “importante”, a seu ver, é a qualidade dos produtos enquanto uma das condições fundamentais para que o comércio progrida e para que essa decisão de livre comércio possa, de facto, ter os seus efeitos práticos na economia dos países africanos.

“Os problemas são vários, as trocas comerciais não dependem só de decisões políticas, dependem dos empresários, já que são eles que compram e vendem, mas é preciso também que politicamente se consiga fazer um enquadramento”, disse a mesma fonte.

Posto isto, revelou ser a favor da ratificação por Cabo Verde do acordo que cria a Zlecaf, defendendo que Cabo Verde tem que assumir a sua africanidade e proceder à sua efectiva integração no continente.

“Esta integração, do nosso ponto de vista, passa absolutamente pela CEDEAO. Devemos ter uma presença mais significativa na CEDEAO”, preconizou, acrescentando que a criação de um Ministério para a Integração Regional, pela primeira vez, em Cabo Verde, “é um passo muito positivo porque dá uma mensagem política clara de uma vontade de integração”.

O acordo que cria a Zona de Livre Comércio Continental, que prevê a constituição de um mercado comum em África, será formalmente adoptado na Cimeira da União Africana (UA), prevista para Julho deste ano, em Niamey, Níger.

Cabo Verde foi um dos signatários do acordo, em Março de 2018, e está, neste momento a trabalhar a parte técnica, com estudo de avaliação de impacto, tendo em vista a sua ratificação.

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