“Estamos a inovar, porque é uma zona do globo de grande potencialidade, pela capacidade financeira das pessoas e porque é uma zona de emissão de turismo forte”, mostrou Almada Dias, em entrevista à agência Lusa.

O presidente lamentou apenas o facto de o país não ter representações diplomáticas nesses países escandinavos: Suécia, Noruega, Finlândia, Dinamarca e Islândia.

“Criámos ali uma representação, vamos começar a trabalhar fortemente nesse mercado, numa ótica de atrair investidores dessa região”, prosseguiu a mesma fonte, dando como exemplo a Noruega, que é uma potência mundial em tudo o que é economia marítima, desde a pesca, aquacultura e exploração de minérios em grande profundidade.

A Cabo Verde TradeInvest é a agência responsável pela tramitação dos projetos, uma espécie de ‘front office’ do Estado e o investidor.

A aprovação dos projetos é sempre feita pelo Governo, com a agência a regressar depois para emitir um certificado de investidor, que terá direito a uma série de incentivos do Estado, desde fiscais e aduaneiros.

Além da economia marítima, Almada Dias disse que o país quer atrair turistas desses países, como os reformados, para comprarem casa em Cabo Verde que depois permitirá ao arquipélago “apostar seriamente” no turismo de saúde e bem-estar, um dos segmentos mais rentáveis do mundo.

“E Cabo Verde, pelo seu clima, sua estabilidade, tem condições muito propícias para esse tipo de turismo. Estamos a fazer uma aposta forte na diversificação, mesmo dentro do turismo, e esta questão de tentar outros mercados é para nós fundamental”, enfatizou o responsável institucional.

Associado ao turismo dos reformados, Almada Dias disse que a agência vai fazer uma “campanha forte” do ‘Green Card’, que é uma lei que permite que as pessoas com outra nacionalidade comprem casa em Cabo Verde e têm acesso à residência.

“É uma lei muito importante, outros países fizerem isso antes e estimulou bastante o turismo residencial, a imobiliária e construção civil”, mostrou o presidente, referindo que o país quer também atrair cada vez mais a sua diáspora, com um estatuto de investidor emigrante.

Outro mercado que Cabo Verde gostaria de atrair mais é o chinês, quanto mais não seja porque o país tem um delegado junto do Fórum Macau, mas o líder da CV TradeInvest disse à Lusa que “não é fácil, porque muita gente bate à porta da China”.

“E nós estamos um bocadinho foram do mapa, os chineses viajam é para Europa, Estados Unidos, mesmo dentro da Ásia, onde há muitos destinos. Não é fácil atrair investimentos daquela região, mas estamos a fazer um trabalho paciente e vamos tentar fortalecer nos próximos anos”, perspetivou.

Ainda assim, Almada Dias deu como exemplo muitas lojas chinesas em Cabo Verde e o empreendimento turístico na cidade da Praia do empresário macaense David Chow, um investimento estimado inicialmente em 250 milhões de euros.

José Almada Dias foi nomeado em março pelo Governo presidente da Cabo Verde TradeInvest, substituindo Ana Barber, que foi assumir o cargo de comissária-geral de Cabo Verde junto da Expo 2020, no Dubai.

Na atual conjuntura, com limitação de contactos físicos e de viagens por causa da pandemia do novo coronavírus, o presidente disse que a estratégia para promover o país no estrangeiro através do marketing digital, a rede de embaixadores, para a tão falada diplomacia económica.

Além de atrair investidores estrangeiros, Almada Dias disse que outro objetivo é a promoção de uma forte classe empresarial nacional.

“É muito bom atrair investimento externo, todos os países têm de fazer isso, mas se nós não criarmos uma forte classe empresarial, que seja interventiva nos setores estratégicos económicos, o país nunca se desenvolverá”, mostrou.

Para conseguir esse objetivo, disse que a CV TradeInvest vai “trabalhar fortemente” com as câmaras de comércio e com todos os representantes dos empresários do país, para “fazer a triagem” dos muitos projetos em várias áreas e “encorajar” a classe empresarial mais jovem.

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